Engenheiros estudam a natureza para desenvolver soluções tecnológicas inovadoras. Exemplos incluem o velcro, inspirado na planta bardana, e o trem-bala japonês, que teve seu design aperfeiçoado pelo formato do bico do martim-pescador.
Outras inovações vêm das nadadeiras de baleias-jubarte, tecidos inspirados nas lagartixas e robôs que imitam insetos para se mover sobre a água. Pesquisas também buscam baterias flexíveis que imitam a enguia elétrica, voltadas para dispositivos médicos.
Apesar dos avanços, cortes no financiamento podem comprometer o futuro dessas tecnologias baseadas na bioinspiração, que une a natureza e a engenharia para soluções mais eficientes e sustentáveis.
Engenheiros e inventores há séculos buscam inspiração na natureza para criar tecnologias. A partir do estudo detalhado de animais e plantas, surgem soluções como baterias flexíveis e robôs que se deslocam sobre a água, resultado do campo conhecido como bioinspiração.
Um exemplo clássico é o velcro, cuja ideia veio ao suíço George de Mestral ao observar pequenos ganchos nas sementes da planta bardana, que grudavam em roupas e pelos. Ele reproduziu esse mecanismo usando nylon, patenteando a invenção em 1955.
Na década de 1980, o formato do bico do martim-pescador serviu para melhorar o design do trem-bala japonês. Inspirados nessa ave, engenheiros conseguiram reduzir em 30% a pressão do ar nos túneis, diminuindo ruídos e aumentando a eficiência.
Protuberâncias nas nadadeiras de baleias-jubarte levaram a melhorias em pás de turbinas eólicas e cascos de navios, enquanto as padronagens adesivas das lagartixas deram origem a tecidos capazes de suportar grandes cargas e serem removidos sem deixar resíduo.
Engenheiros também observaram que a estrutura do camarão-louva-a-deus absorve choques poderosos sem se quebrar, criando materiais que podem proteger naves espaciais de impactos. Outro robô anda sobre a água inspirado nos insetos de superfície, que usam leques nos pés para se locomover com rapidez e pouco gasto de energia.
Além disso, baterias flexíveis tentam replicar o tecido elétrico da enguia, que gera descargas para se defender. Esses protótipos podem se tornar fontes seguras de energia para dispositivos médicos implantáveis.
Apesar do avanço, o financiamento para pesquisas em bioinspiração enfrenta cortes, o que pode afetar o desenvolvimento dessas tecnologias no futuro.
Via Folha de S.Paulo