O agronegócio brasileiro enfrenta em 2026 um cenário complexo. Apesar do aumento na produção, a renda do produtor rural está sob forte pressão devido a custos elevados, queda nos preços internacionais e juros altos. Muitos produtores, mesmo com lucro operacional, encerram o ano com prejuízos.
A alta produtividade, principal diferencial para o lucro, depende de fatores como crédito, clima e insumos, que nem sempre são favoráveis. A pecuária também sofre com barreiras comerciais, especialmente na China. O cooperativismo é destacado como uma estratégia importante para reduzir custos e aumentar a inclusão no setor.
Roberto Rodrigues ressalta a necessidade do Brasil assumir papel maior em política agrícola global. A agricultura é vista como missão estratégica que vai além do campo, exigindo foco em segurança alimentar e sustentabilidade para garantir o futuro do setor.
O agronegócio brasileiro inicia 2026 em um cenário paradoxal. Apesar da produção expressiva, capaz de abastecer o mercado interno e manter as exportações, a renda do produtor rural se encontra pressionada, comprometendo a sustentabilidade do setor. Este alerta vem de Roberto Rodrigues, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e Embaixador Especial da FAO para o Cooperativismo.
Segundo ele, os custos da produção subiram, os preços internacionais caíram em dólar e os juros altos, próximos a 20% ao ano, deixam a atividade agrícola financeiramente difícil. Mesmo com lucros operacionais de cerca de 15%, muitos produtores terminam no vermelho.
Embora o Brasil deva colher 354,4 milhões de toneladas na safra 2025/2026, um aumento de 0,6% em relação ao ciclo anterior, o aumento na produção não se traduz em ganhos para o produtor. Essa disparidade pode causar, nos próximos anos, queda em investimentos e áreas plantadas, impactando a produtividade.
Produtividade é o principal fator que separa lucro e prejuízo, mas depende de variáveis como clima, acesso a crédito e qualidade dos insumos, que nem sempre estão sob controle do agricultor. A pressão sobre a renda também se estende à pecuária, especialmente após tarifas chinesas dificultarem as exportações.
Além disso, a eficiência da tecnologia, antiga aliada do setor, diminui com cortes na qualidade de fertilizantes. O cooperativismo surge como ferramenta importante para inclusão e redução de custos, reunindo mais da metade da produção agropecuária nacional.
Rodrigues destaca ainda que o Brasil precisa assumir maior protagonismo político para enfrentar desafios globais ligados à segurança alimentar e sustentabilidade, reforçando que agricultura é uma missão estratégica que ultrapassa o campo.
Via Forbes Brasil