Etanol de milho preocupa setor sucroenergético em ano desafiador para usinas; espaço para mais açúcar é incerto

Etanol de milho cresce em meio a desafios para usinas e levanta dúvidas sobre expansão da produção de açúcar no Brasil.
11/01/2026 às 10:42 | Atualizado há 2 dias
               
O texto destaca o etanol como alternativa diante da queda nas margens do açúcar, enfatizando expansão rápida. (Imagem/Reprodução: Moneytimes)

A expansão do etanol de milho tem gerado alertas para o setor sucroenergético brasileiro, em um ano já marcado por desafios para as usinas. A produção crescente desse biocombustível pode pressionar os preços e impactar a rentabilidade do etanol de cana.

Com previsão de preços maiores para o etanol na safra que começa em abril, o mercado ainda se mantém cauteloso diante do avanço do etanol de milho, que pode comprometer a competitividade do etanol de cana e modificar a destinação da cana para produção de açúcar.

Especialistas apontam que o Brasil domina grande parte do mercado mundial de açúcar, mas o consumo interno está próximo do limite. O crescimento do etanol de milho desafia a expansão do açúcar, com impactos previstos no comércio e na rentabilidade das usinas.

Enquanto o etanol continua sendo uma alternativa para as usinas enfrentarem preços baixos do açúcar, a expansão acelerada do etanol de milho traz novas dúvidas ao setor sucroenergético. O aumento da oferta, combinado com a produção já alta de etanol de cana, pode pressionar os preços e reduzir as margens de lucro das usinas.

Para a safra que começa em abril, a previsão é de preços maiores para o biocombustível, o que deve aliviar o cenário no curto prazo. Porém, o mercado ainda exige cautela por conta do crescimento do etanol feito a partir do milho, que pode impactar a competitividade do etanol de cana e levar a uma maior destinação da cana para a produção de açúcar.

O professor Marcos Jank, do Insper, alerta que o Brasil já domina metade do mercado mundial de açúcar, e o consumo interno está próximo do limite. Isso significa que o aumento da produção terá como foco as exportações, questionando se há espaço para mais açúcar no mercado global diante da expansão do milho.

A StoneX estima que a produção de etanol de milho alcance cerca de 9,6 milhões de metros cúbicos este ano, podendo chegar a até 12 milhões em 2026, o que representaria um crescimento de 25%. Atualmente, este biocombustível representa 25% do total produzido no Brasil, com perspectivas de chegar a 40% até 2035.

Segundo Jank, a rentabilidade das usinas de etanol de milho no médio e longo prazo pode ser afetada por quedas no preço da gasolina, o que reforça a importância da gestão de risco para as empresas do setor.

Via Money Times

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.