Debate científico sobre os redemoinhos em ‘A Noite Estrelada’ de Van Gogh

Cientistas discutem se redemoinhos em 'A Noite Estrelada' representam turbulência real ou apenas arte.
12/01/2026 às 07:02 | Atualizado há 1 mês
               
Imagem revela padrões de fenômeno físico complexo descobertos por pesquisadores em 2024. (Imagem/Reprodução: Redir)

A pintura ‘A Noite Estrelada’, de Vincent van Gogh, é alvo de debate entre cientistas sobre a presença de turbulência, um fenômeno físico. Um estudo recente sugere que as pinceladas da obra mostram padrões matemáticos desse movimento caótico comum em fluidos naturais.

No entanto, especialistas em física contestam essa interpretação, apontando erros conceituais e afirmando que a pintura representa formas artísticas, não fenômenos reais. Pesquisas com obras de outros artistas reforçam a dificuldade de associar padrões visuais à turbulência verdadeira.

Apesar disso, o estudo original defende que a análise revela a aplicação da lei da turbulência na arte, e outro pesquisador indica que a pintura pode conter assinaturas estatísticas parecidas com a turbulência sem representar fluxo físico real. A controvérsia expõe a complexidade da relação entre arte e ciência.

A Noite Estrelada, pintura de Vincent van Gogh, virou tema de debate entre cientistas sobre a presença de um fenômeno físico chamado turbulência. Em 2024, um estudo de pesquisadores chineses e franceses afirmou que as pinceladas da obra mostrariam padrões desse fluxo caótico, comum em fluidos naturais. A análise identificou esses padrões com base em leis matemáticas da mecânica dos fluidos.

Contudo, especialistas em física de fluidos contestaram a pesquisa. James Riley, da Universidade de Washington, classificou o artigo como inadequado e publicou críticas detalhadas, apontando erros conceituais na interpretação dos dados. Outros artigos reforçaram a ideia de que a pintura não representa fenômenos reais, apenas formas artísticas que não podem ser analisadas como processos físicos.

Um estudo adicional analisou uma obra do pintor francês Edgar Degas e encontrou padrões semelhantes às pinceladas de Van Gogh, apesar da falta de semelhança com fenômenos naturais turbulentos. Isso dificultou a associação direta entre as características visuais e a presença real de turbulência.

Embora reconheçam que a pintura não é um experimento científico, os autores do estudo original afirmam que a análise rigorosa revela a aplicação da lei de escala da turbulência observada no quadro. A discussão evidencia como a ciência se desenvolve, com debates que aprimoram o conhecimento, inclusive sobre interpretações artísticas.

Para o físico José Luis Aragón, outra abordagem usando a análise do brilho das pinceladas sugere que a pintura pode transmitir assinaturas estatísticas próximas da turbulência, embora ele reconheça que não há fluxo físico real no quadro.

Essa controvérsia entre arte e ciência mostra como diferentes metodologias podem levar a conclusões distintas, ilustrando a complexidade da relação entre representações visuais e fenômenos naturais.

Via Folha de S.Paulo

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