Estudo aponta homens como principais autores em artigos retratados de revistas médicas

Pesquisa revela predominância masculina na autoria de artigos retratados em revistas médicas de alto impacto.
13/01/2026 às 06:43 | Atualizado há 4 semanas
               
Mulheres são minoria nas primeiras autorias em artigos retratados, apenas 16,5%. (Imagem/Reprodução: Redir)

Um estudo recente analisou 878 artigos retratados em 131 revistas médicas e mostrou que os homens são a maioria dos autores, representando 76,9% do total e 83,5% da primeira autoria, que indica o principal responsável pela pesquisa.

A pesquisa usou dados da Retraction Watch Database e inteligência artificial para identificar o gênero dos autores. Além disso, os homens também são maioria nos casos de má conduta científica, com 88,5% da primeira autoria em artigos retratados por esse motivo.

Segundo o autor do estudo, essas diferenças refletem desigualdades estruturais no meio acadêmico, já que as mulheres são menos representadas na área médica e em cargos de liderança.

Um estudo recente analisou 878 artigos retratados em 131 revistas médicas e revelou que os homens são predominantes na autoria desses trabalhos. Eles respondem por 76,9% de todos os autores e por 83,5% da primeira autoria, que indica o principal responsável pela pesquisa. As mulheres correspondem, respectivamente, a 23,1% e 16,5% das posições.

A pesquisa, publicada na revista PLoS One, utilizou dados da Retraction Watch Database e considerou 15 revistas de alto impacto em áreas como oncologia, pediatria e psiquiatria. A identificação de gênero foi feita por meio de uma ferramenta de inteligência artificial que avalia nomes dos autores.

Além disso, os homens são maioria nos casos de má conduta científica, representando 88,5% da primeira autoria em artigos retratados por esse motivo e 91,9% entre autores com cinco ou mais retratações. Em contrapartida, a presença feminina nesses casos é significativamente menor que em publicações normais.

O autor do estudo, Paul Sebo, da Universidade de Genebra, destaca que essas diferenças refletem desigualdades estruturais existentes no meio acadêmico, já que a representação feminina na área médica é menor. Assim, a predominância masculina nas retratações pode estar ligada ao maior envolvimento desses autores em posições de liderança.

Apesar das limitações, como a inferência de gênero por IA e o foco em revistas de alto impacto, o estudo oferece dados importantes para entender os padrões de autoria e retratação na medicina, ressaltando a necessidade de considerar fatores demográficos e sociais na análise desses processos.

Via Folha de S.Paulo

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