O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia traz benefícios limitados para o agronegócio brasileiro, principalmente para grandes produtores. As cotas para exportação de carne bovina e de aves ao mercado europeu são restritas, representando menos de 2% do seu total. Isso favorece empresas que conseguem cumprir as exigências rígidas de licenciamento e custos ambientais.
Além das cotas, o principal desafio são as barreiras não tarifárias, como o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento que exigirá rastreabilidade detalhada e complexos sistemas de compliance a partir de 2026. Essa situação acentua a desigualdade no setor, beneficiando produtores maiores e deixando pequenos agricultores em desvantagem.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia traz ganhos limitados para o agronegócio brasileiro, concentrando benefícios em grandes produtores. As cotas para exportação de carne bovina (99 mil toneladas) e de aves (180 mil toneladas) representam menos de 2% do mercado europeu. Esses limites favorecem apenas empresas com capacidade para cumprir exigências rigorosas de licenciamento e custos ambientais.
Além das cotas restritas, o principal obstáculo são as barreiras não tarifárias, como o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que entrará em vigor em 2026. Ele requer rastreabilidade detalhada, com geolocalização individual para bovinos, e sistemas de compliance complicados para produtores menores. Este cenário reforça a desigualdade no setor, beneficiando um “agronegócio de duas velocidades”, a certa distância dos pequenos agricultores.
O acordo também prevê mecanismos de defesa, acionados se as importações crescerem mais de 5% em produtos sensíveis, o que traz dúvidas jurídicas. No segmento do café, a eliminação gradual de tarifas abre caminho para o aumento das exportações de produtos solúveis e torrados, mas não deve desencadear uma migração maciça de indústrias europeias para o Brasil.
Assim, embora o tratado proporcione alguma abertura, especialistas destacam que ele funciona mais como instrumento para pressionar subsídios na Europa do que como uma real ampliação do mercado para o agronegócio nacional, mantendo restrições que limitam o acesso e a competitividade de produtores menores.
Via InfoMoney