Paul Nurse, presidente da Royal Society, defendeu a permanência de Elon Musk como membro da academia, mesmo após críticas relacionadas ao uso da inteligência artificial Grok para gerar conteúdo polêmico.
Nurse ressaltou que a expulsão deve ocorrer apenas em casos de ciência falha ou fraudulenta. Ele também destacou que figuras históricas controversas já fizeram contribuições importantes para a ciência.
A Royal Society enfrenta debate sobre ações disciplinares enquanto cortes em financiamentos científicos nos EUA e restrições ao Grok aumentam o cenário de tensão internacional.
Paul Nurse, presidente da Royal Society, defendeu a permanência de Elon Musk como membro da renomada academia científica, mesmo após críticas relacionadas ao uso da inteligência artificial Grok, da empresa de Musk, para gerar imagens sexualizadas, inclusive de menores. Nurse afirmou que a instituição deve evitar julgamentos sobre o “caráter” dos membros e destacou que existem pessoas com comportamentos questionáveis que contribuíram para avanços científicos.
A Royal Society, fundada há 365 anos e que já teve figuras como Isaac Newton entre seus membros, enfrenta polêmica desde que Musk passou a ser alvo de críticas por disseminar desinformação e por cortes em financiamentos científicos nos EUA, vinculados ao Departamento de Eficiência Governamental (Doge). Em março, a academia decidiu não aplicar medidas disciplinares, ressaltando que punições políticas poderiam prejudicar sua reputação.
Nurse frisou que a expulsão deveria ser reservada a casos em que a ciência apresentada seja “falha, fraudulenta ou altamente defeituosa”. Ele destacou que o passado da Royal Society inclui membros com comportamentos controversos, mas que deram contribuições significativas à ciência.
A controvérsia aumentou com a limitação do acesso ao Grok, restrito a assinantes pagos após polêmica gerada no Reino Unido e na União Europeia, onde autoridades avaliam multas e restrições. A empresa por trás do Grok afirmou ter removido conteúdos ilegais e ressaltou que usuários que divulgarem material proibido sofrerão consequências legais.
Além disso, Nurse comentou sobre os impactos dos cortes de financiamento científico nos EUA e a tendência de colaboração crescente entre cientistas de outros países, incluindo a China.
Via Folha de S.Paulo