Desafios e abordagens na terapia com psicodélicos

Conheça as estratégias na terapia com psicodélicos e seus impactos no tratamento clínico.
15/01/2026 às 11:46 | Atualizado há 4 semanas
               
Reduzir efeito psicodélico pode ajudar na clínica, mas benefícios não são garantidos. (Imagem/Reprodução: Redir)

O uso de psicodélicos em tratamentos clínicos enfrenta desafios devido à necessidade de longas sessões para monitorar estados alterados de consciência. Duas abordagens principais tentam viabilizar essa terapia: a primeira busca eliminar os efeitos psicodélicos mantendo a neuroplasticidade; a segunda foca em abreviar os efeitos para melhorar a eficiência do tratamento.

Pesquisas indicam que a duração prolongada da experiência psicodélica pode ser fundamental para o impacto terapêutico, proporcionando um período maior para reorganizar pensamentos e comportamentos. Substâncias como ibogaína e LSD são destaque nessa linha de estudo.

Entretanto, sem suporte psicoterapêutico adequado, a plasticidade cerebral aumentada pode gerar frustração, ressaltando a importância do acompanhamento profissional no uso clínico dos psicodélicos.

A incorporação das terapias com psicodélicos em tratamentos clínicos enfrenta desafios, principalmente pela necessidade de longas sessões para monitorar estados alterados de consciência.

Duas abordagens principais buscam viabilizar essa terapia. A primeira, chamada de psicoplastógenos, tenta eliminar os efeitos psicodélicos enquanto mantém a indução de neuroplasticidade, que facilita novas conexões cerebrais, consideradas essenciais para o benefício terapêutico.

Essa estratégia, porém, pode reduzir a experiência subjetiva profunda, priorizando a funcionalidade e o equilíbrio emocional ao custo da transformação psicológica significativa.

A segunda abordagem busca abreviar os efeitos psicodélicos para melhorar a relação custo-benefício e facilitar a assimilação pelo sistema de saúde mental. Pesquisas exploram o uso de substâncias como DMT em formatos inaláveis para depressão.

Porém, estudos recentes indicam que o benefício está relacionado ao tempo prolongado de abertura da janela de aprendizado facilitada pelos psicodélicos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley mostram que substâncias como ibogaína e LSD, que provocam viagens longas, promovem um “afterglow” – efeito residual que é crucial para o impacto terapêutico contínuo.

Essa terceira via sugere que experiências mais longas proporcionam um período estendido para reorganizar pensamentos e comportamentos, o que pode ser fundamental para a eficácia do tratamento.

No entanto, sem suporte psicoterapêutico adequado, essa plasticidade aumentada pode gerar frustração ou desespero, evidenciando a importância do acompanhamento profissional no uso clínico dos psicodélicos.

Via Folha de S.Paulo

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