O otimismo que marcou o mercado financeiro em 2025, com recordes na bolsa e em ativos como ouro e prata, começa a dar lugar a uma pergunta latente entre os investidores: o mercado está diante de uma bolha prestes a explodir? Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o cenário para 2026 deve ser ditado pelo temor da volatilidade e pela teia de investimentos cruzados no setor de tecnologia.
Segundo Mendlowicz, o ano de 2025 foi excepcional para diversas classes de ativos. O Ibovespa avançou mais de 31% no ano, atingindo os 160 mil pontos, enquanto o ouro superou os US$ 4.500 e a prata ultrapassou, no último dia 26, os US$ 75 pela primeira vez na história. No entanto, o motor dessa euforia (a inteligência artificial) é o que mais acende o sinal de alerta para uma possível bolha.
\”O rali da inteligência artificial (IA) acende uma bolha. Eu concordo e também estou preocupado\”, afirma o economista. Ele destaca que grandes corporações como Disney, Amazon e Nvidia (que hoje, dia 29, anunciou a compra de ações da Intel no valor de US$ 5 bilhões) seguem investindo umas nas outras, criando um cenário de interdependência que pode sacudir o mercado em 2026.
O impacto da IA no emprego: realidade ou narrativa?
Um dos pontos da análise de Mendlowicz é o fenômeno das demissões em massa no setor de tecnologia. Embora, oficialmente, 55 mil postos de trabalho nos Estados Unidos tenham sido cortados em 2025 sob a justificativa do avanço da IA (fonte: consultoria Challenger, Gray & Christmas), o economista pondera que há um componente de conveniência corporativa.
Mendlowicz explica que as empresas muitas vezes precisam reduzir seus quadros de funcionários para cortar custos ou porque contrataram gente demais no passado, por exemplo. No entanto, admitir que a empresa errou no planejamento ou que os funcionários não estão rendendo bem gera um impacto negativo na imagem da marca.
“Ao dizer que a IA é a causa da demissão, a empresa transfere a responsabilidade para a evolução tecnológica. Em vez de dizer ‘Estamos demitindo 10% porque eles não trabalham bem’, a empresa prefere dizer ‘Estamos demitindo 10% porque a tecnologia agora faz o trabalho deles’. A IA acaba servindo como um escudo para decisões administrativas que visam apenas o lucro ou a correção de erros internos”, avalia o Economista Sincero.
Para ele, a mudança de paradigma ocorreu quando Elon Musk demitiu 80% do quadro do Twitter (atual X) e a empresa continuou operando, o que levou outras big techs a reavaliarem seus excessos de contratação do período da pandemia.
Juros nos EUA e o impacto na economia global
A saúde da economia americana é outro fator de instabilidade. O PIB dos EUA cresceu 4,3% no terceiro trimestre, um número forte que, paradoxalmente, preocupa o mercado. Mendlowicz ressalta que, “se a economia crescer demais, o Federal Reserve (Fed) pode ser impedido de baixar os juros, o que devasta a economia mundial e interrompe o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil”.
Estratégias para 2026: diversificação e longo prazo
Apesar do \”medo que vende notícias\”, Mendlowicz não recomenda o pânico, mas sim o rebalanceamento de carteiras. Ele sugere que investidores reduzam a exposição concentrada em tecnologia e olhem para setores essenciais como energia, saneamento e bancos, além de manter ativos tangíveis.
\”A crise é amiga do investidor na hora de fazer o aporte. Se tiver uma bolha, nós vamos enxergar, mas vamos tentar pensar a longo prazo porque é isso que dá dinheiro\”, conclui, citando a resiliência de investidores como Warren Buffett, que mantém posições em empresas sólidas por décadas.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller \”18 princípios para você evoluir\”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.
Via: Grayce Rodrigues
