O livro “Cyberselfish”, publicado em 2000 por Paulina Borsook, volta a ganhar atenção após 25 anos. A obra critica o Vale do Silício, expondo o tecnolibertarianismo e os problemas sociais e ambientais gerados pela indústria.
Paulina enfrentou prejuízos na carreira devido às críticas, mas seu trabalho agora atrai um novo público. Ela defende a criação de uma comissão para analisar o papel do setor tecnológico na sociedade.
Essa retomada ocorre em um momento de questionamentos éticos e políticos sobre o Vale do Silício, destacando o debate sobre o futuro e impacto do setor.
Depois de 25 anos, o livro Cyberselfish, publicado por Paulina Borsook no ano 2000, volta a ganhar repercussão na internet ao criticar o Vale do Silício. O livro expõe o surgimento do tecnolibertarianismo, ideologia que valoriza a riqueza e a inteligência como sinônimos, ao mesmo tempo em que rejeita regras, governos e empatia. Borsook, que sofreu prejuízos na carreira por essas críticas, anteviu a transformação do setor de tecnologia em uma cultura nociva, marcada por um capitalismo de vigilância e desconsideração pelo impacto social e ambiental.
A obra estava fora de impressão e esgotada em sebos e livrarias, mas passou a ser procurada por um novo público a partir de 2025. Sites, podcasts e redes sociais difundem as ideias de Paulina, que alerta sobre a imposição das crenças do Vale do Silício fora do setor tecnológico. Ela propõe uma comissão para revisar e esclarecer o papel da indústria.
Paulina Borsook trabalhou em publicações de tecnologia e vive na região da Baía de São Francisco. Defensora da regulamentação e do bem público, relaciona o poder concentrado no setor ao volume expressivo de dinheiro gerado. Sua análise crítica aponta para a contradição entre o entusiasmo inicial pela inovação e a realidade atual, em que grandes empresas do Vale do Silício demonstram alinhamento com agendas políticas controversas, como o apoio a Donald Trump.
Esse novo interesse no livro coincide com um momento em que o Vale do Silício enfrenta questionamentos éticos e políticos, revelando o debate sobre o futuro do setor e seu impacto na sociedade.
Via Folha de S.Paulo