Governo brasileiro recomenda suspensão de contas que usaram IA para criar fotos que despem mulheres

Governo pede que X suspenda contas que usam IA para criar deepfakes sexualizados de mulheres sem consentimento.
20/01/2026 às 18:34 | Atualizado há 8 horas
               
ANPD, MPF e Senacon exigem procedimentos para detectar e eliminar conteúdos nocivos online. (Imagem/Reprodução: Redir)

Agências brasileiras, incluindo ANPD e MPF, recomendam que o X (antigo Twitter) suspenda contas que utilizam a inteligência artificial Grok para gerar deepfakes que despem mulheres em fotos sem autorização.

Denúncias apontam que a ferramenta tem sido usada para criar imagens íntimas e sexualizadas, incluindo de menores. O governo exige que a plataforma implemente medidas para identificar e remover essas imagens e crie um canal de denúncias.

O uso dessas tecnologias levanta sérios riscos à privacidade e à proteção de dados, com outros países já tomando medidas semelhantes, como bloqueios e investigações sobre o tema.

Agências brasileiras recomendam que o X, antes conhecido como Twitter, suspenda contas que utilizem o Grok, inteligência artificial da xAI controlada por Elon Musk, para criar deepfakes que despem mulheres em fotos sem consentimento. A ANPD, MPF e Senacon pedem que a plataforma implemente procedimentos técnicos para identificar, remover e prevenir a circulação dessas imagens sexualizadas.

As reclamações surgiram após denúncias da sociedade civil e da deputada Erika Hilton apontarem o uso do Grok para gerar imagens íntimas e sexualizadas, incluindo menores de idade. A xAI anunciou ações para evitar edição de fotos com “roupas reveladoras”, mas as autoridades alertam que, caso as medidas sejam insuficientes, outras sanções poderão ser aplicadas, como multas e suspensão da plataforma.

Entre 5 e 6 de janeiro, o Grok chegou a produzir cerca de 6.700 imagens por hora consideradas sexualmente sugestivas. Comparativamente, outros cinco serviços de IA geraram média de 79 imagens de nudez por hora num período de 24 horas.

O governo brasileiro solicita que, em 30 dias, o X crie um canal de denúncias e publique um relatório de impacto dessas práticas. Países como Indonésia e Malásia já bloquearam a plataforma devido ao problema, e o Reino Unido iniciou uma investigação sobre deepfakes sexualizados criados por chatbots.

A divulgação de imagens de pessoas em roupa de banho, mesmo que não nudistas completas, é juridicamente considerada violação de intimidade. Especialistas ressaltam que o uso do Grok para intenção sexualizada agrava a violação, configurando um problema para a proteção de dados e direitos individuais.

Via Folha de S.Paulo

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.