Leões-marinhos de Galápagos continuam amamentando após a maturidade

Leões-marinhos de Galápagos amamentam além da maturidade, comportamento raro que desafia a biologia evolutiva.
25/01/2026 às 13:04 | Atualizado há 5 horas
               
O comportamento surge na fase em que o animal está pronto para caçar, acasalar e se defender. (Imagem/Reprodução: Redir)

Leões-marinhos da espécie Zalophus wollebaeki nas Ilhas Galápagos mantêm um comportamento atípico: continuam a mamar nas mães mesmo após a maturidade sexual. Pesquisas mostram que alguns indivíduos amamentam até os 16 anos, um fenômeno que desafia a lógica evolutiva tradicional e indica a persistência do vínculo materno além da independência alimentar.

Estudos realizados por quase duas décadas revelam que cerca de 11% dos leões-marinhos voltam a amamentar depois da puberdade, sendo que 20% desses mantêm essa prática na fase adulta. Apesar de já se alimentarem de peixes e lulas, esses “supermamadores” continuam buscando o leite materno, que é rico em gorduras, gerando um custo energético elevado para as mães.

Essa amamentação prolongada pode enfraquecer as chances dos irmãos mais jovens em períodos de escassez alimentar, mas acredita-se que também fortaleça os laços sociais entre mãe e filho adulto. O comportamento, raro e pouco compreendido, contribui para as características únicas dessa população de mamíferos marinhos e segue sendo objeto de estudo na biologia comportamental.

Leões-marinhos de Galápagos, espécie Zalophus wollebaeki, apresentam um comportamento incomum: continuam a mamar em suas mães mesmo após atingir a maturidade sexual. Estudos que acompanham essa população no oceano Pacífico indicam que alguns exemplares chegam a mamar até os 16 anos, idade equivalente a 60 anos humanos. Essa persistência na amamentação desafia a lógica evolutiva tradicional, que prevê o desmame após a independência alimentar e capacidade reprodutiva.

Pesquisadores observaram vários casos ao longo de quase duas décadas. Aproximadamente 11% dos leões-marinhos voltam a mamar nas mães mesmo após a puberdade. Dentre esses, um em cada cinco mantém esse comportamento durante a fase adulta, ao mesmo tempo em que já se alimentam de peixes e lulas. Surpreendentemente, não há preferência pelo sexo das crias nessa amamentação tardia.

Esse fenômeno gerou o termo “supermamadores” para esses adultos dependentes do leite materno. A produção do leite, que é rica em lipídios, requer alto custo energético das mães, levantando dúvidas sobre as vantagens evolutivas desse comportamento. Em anos de escassez alimentar, a presença desses “supermamadores” pode prejudicar a sobrevivência dos irmãos mais jovens e totalmente dependentes.

Embora a quantidade e o valor nutricional do leite nas amamentações prolongadas ainda sejam incertos, uma hipótese sugere que, além da nutrição, esse ato fortaleça vínculos sociais entre mãe e filho já adulto. Esse comportamento inusitado se soma a outras peculiaridades dessa população, como a caça cooperativa para capturar peixes, configurando um ecossistema único nas ilhas Galápagos.

Pesquisas continuam para compreender as causas e consequências desse padrão, considerado um enigma na biologia comportamental. A complexidade dos laços maternos entre esses mamíferos marinhos segue desafiando as teorias atuais.

Via Folha de S.Paulo

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