Muitas pessoas acreditam que o passado foi melhor do que o presente, mas essa sensação está relacionada ao modo como nossa memória funciona.
A memória reconstrói as lembranças e tende a valorizar os momentos positivos, apagando ou suavizando as experiências negativas, o que gera uma percepção idealizada do que vivemos.
Essa idealização ajuda a manter o equilíbrio emocional, principalmente em fases de mudanças, mostrando que a nostalgia é uma forma de adaptação e conforto emocional.
Nas redes sociais, imagens comparativas entre 2016 e 2026 têm gerado reflexões sobre o passado. Muitas pessoas dizem que “antes tudo era melhor”, atribuindo a 2016 a condição de último ano bom. Mas será que essa percepção é verdadeira ou resultado do funcionamento da memória?
A memória humana não grava o passado como um arquivo fixo, mas o reconstrói a cada lembrança, influenciada pelo contexto e pelas emoções atuais. Por isso, recordações mudam com o tempo e nem sempre refletem fielmente o que aconteceu.
Além disso, nosso cérebro tende a manter vivas as memórias positivas e tornar as negativas menos acessíveis, um mecanismo que serve como proteção emocional. Esse fenômeno, chamado viés de positividade, faz o passado parecer melhor do que foi, especialmente à medida que envelhecemos.
Com a chegada da aposentadoria, essa visão idealizada do passado se intensifica. As lembranças passam a ajudar a manter o equilíbrio emocional diante das mudanças e incertezas da vida atual. A nostalgia, longe de ser fraqueza, é uma forma de adaptação, que fortalece a identidade e traz conforto.
Assim, quando afirmamos que antes tudo era melhor, provavelmente não estamos julgando o passado em si, mas convivendo com uma memória que seleciona e suaviza as experiências vividas para tornar o presente mais suportável.
Via The Conversation