Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que uma nova nanopartícula de ferro eliminou a tuberculose em camundongos após 30 dias. O composto, encapsulado em nanopartículas lipídicas, apresentou melhor desempenho que os medicamentos atuais e pode abrir caminho para tratamentos mais rápidos e menos tóxicos.
O tratamento tradicional da tuberculose dura pelo menos seis meses, com múltiplos antibióticos que causam efeitos colaterais e dificultam a adesão. Com a crescente resistência aos remédios convencionais, alternativas mais eficazes são necessárias, especialmente em populações vulneráveis.
Apesar dos resultados positivos em testes com animais, ainda são necessários estudos em humanos para confirmar a segurança e eficácia. Como o composto não é patenteado, há potencial para um tratamento acessível no sistema público de saúde brasileiro.
Um estudo do Laboratório de Pesquisas em Tuberculose da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp) revelou que um composto de ferro encapsulado em nanopartículas lipídicas eliminou completamente a tuberculose em camundongos após 30 dias. Esse avanço pode abrir caminho para tratamentos mais curtos e menos tóxicos contra a doença, que ainda é uma das principais causas de morte por infecção bacteriana no mundo.
O tratamento atual da tuberculose exige pelo menos seis meses de uso diário de múltiplos antibióticos, o que muitas vezes causa efeitos colaterais e dificulta a adesão, especialmente em populações vulneráveis. A OMS estima que o tratamento correto cura cerca de 85% dos casos, mas a resistência crescente aos medicamentos tradicionais é um desafio.
O composto utilizado no estudo, chamado ferroína ([Fe(phen)₃]₂+), é uma substância antiga da química, redirecionada para uso antibacteriano. Para proteger o composto da degradação no organismo, ele foi encapsulado em nanopartículas lipídicas, permitindo a liberação gradual e maior estabilidade.
Nos testes com camundongos infectados, a infecção pulmonar desapareceu totalmente após 30 dias, tanto com o ferro encapsulado quanto com o livre, superando o desempenho da isoniazida, um dos medicamentos padrão no Brasil. O mecanismo de ação envolve danos à parede celular da bactéria, parecido com o efeito das penicilinas.
Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários estudos em humanos para avaliar toxicidade e eficácia em casos resistentes. Como o composto não tem patente, ele pode ser uma opção de tratamento acessível no futuro, especialmente para o sistema público de saúde.
Via Galileu