O setor de compliance atravessa uma transformação definitiva em 2026. A integração de inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa tecnológica para se tornar o motor de eficiência de departamentos que precisam lidar com regulamentações cada vez mais complexas. O desafio atual das empresas não é apenas identificar riscos, mas como fazê-lo em escala sem inflar custos operacionais.
Confira a seguir ferramentas que estão moldando o cotidiano dos profissionais da área, com base em análise técnica de Simone Vollbrecht, nova Head de Compliance da startup VAAS.
- SafeSpace: o fim da fricção no registro de denúncias
Um dos maiores gargalos do compliance é o baixo engajamento em canais de denúncia devido à burocracia de formulários estáticos. A plataforma SafeSpace resolve isso com a Sonia, uma assistente de IA voltada para a escuta ativa.
A ferramenta transforma o relato em uma conversa fluida, o que retira o peso do preenchimento manual. Segundo Vollbrecht, a IA entende o contexto e evita perguntas repetitivas: \”Se já foi mencionado que eram só duas pessoas sozinhas numa sala, ele não perguntaria quem mais estava presente\”. De acordo com a especialista, isso acelera a classificação e a apuração dos casos, permitindo que a empresa reaja mais rápido a desvios de conduta.
- VAAS: inteligência de dados e monitoramento autônomo de riscos
Atualmente, o maior entrave das áreas de conformidade é a dependência excessiva de times técnicos e a fragmentação de dados, o que gera uma fila de espera para a implementação de novas políticas de risco. A VAAS resolve esse gargalo através do Code Hub, uma central que dá autonomia total aos especialistas de negócio para criar variáveis modeladas e regras de score personalizadas, eliminando a burocracia do ciclo de desenvolvimento e acelerando o tempo de resposta ao mercado (Time-to-Market).
Essa inteligência converge para a mesa de decisão, que soluciona o gargalo operacional ao substituir o uso de múltiplas abas e planilhas por um dossiê unificado e automatizado. “Ao centralizar alçadas e fluxos de distribuição, a plataforma garante que o time de compliance não perca tempo com tarefas braçais de coleta de dados, focando apenas em decisões de alta criticidade com total auditabilidade regulatória, essencial para o atendimento de normas de órgãos como o BACEN e a CVM”, pontua Vollbrecht.
- Epiq: investigação forense e identificação de gaps
Em investigações de fraudes complexas, como o histórico caso das Americanas, o volume de e-mails e documentos torna a busca manual por evidências impraticáveis. A ferramenta da Epiq resolve o problema mapeando não apenas palavras-chave, mas o tom das conversas e as conexões entre os envolvidos.
\”A ferramenta encontra \’buracos\’. Se as pessoas excluíram documentos ou comunicações, você vê uma queda estranha num certo momento\”, explica Simone. Essa análise permite encontrar insights que possuem validade judicial, acelerando processos de eDiscovery e Litigation.
- OKAI: agilidade no acompanhamento regulatório
Para empresas que operam em setores altamente regulados (como Bacen e CVM), a demora em interpretar novas normas pode gerar multas pesadas. A OKAI automatiza a captura dessas mudanças e permite que o usuário ‘converse’ com a norma.
De acordo com Vollbrecht, a plataforma utiliza agentes para tirar dúvidas sobre a interpretação e a relação entre diferentes normas, garantindo que o compliance regulatório não se torne um entrave ao negócio.
- Eramba: flexibilidade na Gestão de Certificações (GRC)
Muitas áreas de compliance sofrem por não terem acesso às mesmas ferramentas robustas dos times de TI ou segurança da informação. A Eramba democratiza a gestão de GRC ao permitir que o profissional de conformidade customize o sistema para qualquer norma, como o decreto anticorrupção ou selos de ética.
Com a integração de agentes de IA prevista para 2026, a ferramenta automatiza o acompanhamento de evidências e auditorias, sendo uma opção viável inclusive para empresas que buscam sua primeira certificação.
- Automação do cotidiano: eficiência em comunicação e treinamento
Tarefas como revisão ortográfica de políticas e controle de listas de presença em treinamentos consomem um tempo precioso que agrega pouco valor estratégico. Para ganhar eficiência, Vollbrecht sugere o uso de ferramentas nativas (como Gemini, ChatGPT e Claude) para automatizar esses processos e criar comunicações mais lúdicas.
Ferramentas como Lovable e Cursor também podem ser usadas para criar hotsites internos de forma ágil, melhorando a comunicação do compliance com o restante da empresa.
Futuro da conformidade é automatizado
Para Simone Vollbrecht, a automação deixou de ser opcional: \”Esses tipos de controles podem e devem ser automatizados, porque senão a compliance vai ficar muito atrás das outras áreas em relação à eficiência\”. A especialista conclui que o foco em 2026 deve ser a substituição de processos manuais por camadas de inteligência que permitam ao profissional focar na estratégia e na cultura ética da organização.
Sobre a especialista
Simone Vollbrecht é Head de Compliance da VAAS, executiva jurídica com mais de 15 anos de experiência e mestre pela PUC-SP. É certificada em Transformação Digital e IA pelo MIT Professional Education.
Sobre a VAAS
A VAAS é uma empresa de tecnologia especializada em gestão de risco inteligente. Sua plataforma ajuda equipes a automatizar processos, unificar a gestão de riscos e tomar decisões com mais agilidade, autonomia e precisão. Fundada em Florianópolis e com presença em São Paulo, a VAAS combina experiência em inovação com soluções escaláveis, desenvolvidas para acompanhar as constantes evoluções do mercado de risco, compliance e crédito. Para mais informações, basta acessar o site vaas.com.br.
Via: Grayce Rodrigues
