19/02/2026 às 14:01 | Atualizado há 4 semanas
               
Estudo desafia ideia de que maior consumo de carboidratos sempre melhora desempenho. (Imagem/Reprodução: Theconversation)

Durante anos, a nutrição esportiva reforçou a ideia de que o músculo funciona como um motor abastecido pelo glicogênio, produto do carboidrato armazenado. Portanto, a lógica era: consumir mais carboidratos para aumentar o desempenho, evitando a fadiga causada pelo esgotamento dessa reserva.

No entanto, uma revisão que analisou mais de 160 estudos revela que essa visão simplista não corresponde totalmente à realidade. O principal foco deve ser a pequena, porém vital, reserva de glicose no sangue e o papel do fígado em mantê-la estável durante o exercício.

O corpo dispõe de poucos gramas de glicose circulando no sangue, essencial para manter as funções do cérebro. Quando essa glicose diminui em exercícios prolongados e o fígado não consegue repôr adequadamente, o sistema nervoso reduz a potência muscular como forma de proteção, obrigando a desacelerar mesmo que o músculo ainda tenha capacidade.

Assim, a fadiga não é apenas um “motor vazio”, mas sim um mecanismo que preserva o funcionamento cerebral. Pesquisas indicam que doses menores de carboidratos — entre 15 e 30 gramas por hora — são suficientes para manter a glicose em níveis seguros e retardar a fadiga, contrariando recomendações anteriores que sugeriam quantidades maiores.

Além disso, atletas adaptados a dietas com menos carboidratos mostram maior flexibilidade metabólica, utilizando gordura como combustível em intensidades elevadas, o que desafia o conceito tradicional de que apenas carboidratos sustentam exercícios intensos.

Portanto, o consumo de carboidratos deve ser ajustado para o mínimo necessário que mantenha o equilíbrio da glicose no sangue, preservando o desempenho sem excessos que podem causar desconforto e prejudicar o metabolismo.

Via The Conversation

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.