Estudo brasileiro mostra que consumo de álcool e drogas dos pais afeta filhos

Pesquisa no Brasil aponta que o uso de álcool e drogas pelos pais aumenta o risco de consumo entre adolescentes.
22/02/2026 às 17:21 | Atualizado há 3 horas
               
Apoio e supervisão na família ajudam jovens a evitar repetir uso de cigarro, vape e maconha. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Pesquisadores brasileiros analisaram dados de 4.280 adolescentes e seus responsáveis para verificar a influência dos estilos parentais no consumo de álcool e drogas. O estudo confirmou que o estilo autoritativo, baseado em diálogo e regras claras, reduz significativamente o risco de uso entre jovens, mesmo quando os pais consomem substâncias.

A pesquisa identificou que o consumo de álcool pelos pais aumenta em 24% a chance dos filhos beberem e que o uso de múltiplas drogas por adultos eleva o risco em até 28%. Foram avaliados quatro estilos parentais, com o autoritário, permissivo e negligente mostrando menor ou nenhuma proteção.

Os resultados reforçam a importância do ambiente familiar na formação dos hábitos dos jovens e indicam a necessidade de políticas públicas para prevenir o uso precoce de álcool e drogas entre adolescentes no Brasil.

Pesquisadores brasileiros investigaram se os estilos parentais afetam o padrão intergeracional do uso de álcool e drogas, analisando dados de 4.280 adolescentes e seus responsáveis. Confirmaram que as atitudes dos pais são fatores importantes para prevenir o consumo entre jovens, e que o estilo parental autoritativo, com diálogo, regras claras e afeto, reduz significativamente esse risco, mesmo quando os cuidadores usam substâncias como cigarro, vapes e maconha.

Quatro estilos parentais foram avaliados: autoritativo, autoritário, permissivo e negligente. O autoritário teve efeito menor na prevenção do álcool; permissivo e negligente não mostraram proteção. O consumo paterno de álcool elevou em 24% a probabilidade dos filhos consumirem álcool e em 6% o uso de múltiplas drogas. O uso de várias substâncias pelos pais aumentou o risco em até 28% para os jovens.

A pesquisa, parte de um projeto financiado pela FAPESP em quatro cidades de São Paulo, utilizou técnicas estatísticas avançadas para mapear padrões entre gerações. Os dados coletados de 2023 a 2024 mostraram consumo recente de álcool em 19,9% dos adolescentes, contra 56% dos pais.

Além de reforçar que o consumo dos pais impacta direto os filhos, o estudo destaca a necessidade de políticas comunitárias para prevenir o uso precoce. No Brasil, apesar das restrições legais, mais da metade dos jovens experimenta álcool antes dos 18 anos, segundo levantamento recente da Unifesp.

Essas descobertas trazem insights úteis para estratégias de prevenção baseadas em comportamento familiar e evidenciam o peso do ambiente doméstico na formação dos hábitos dos jovens.

Via Galileu

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.