O risco do mercado de crédito privado nos EUA em meio a quedas e incertezas

Entenda os riscos do mercado de private debt nos EUA após a suspensão de resgates e queda nos retornos.
23/02/2026 às 15:22 | Atualizado há 5 horas
               
Suspensão de resgates pela Blue Owl gera tensão no mercado americano de private debt. (Imagem/Reprodução: Braziljournal)

O mercado americano de private debt enfrenta desafios após a Blue Owl suspender resgates de fundo voltado para o varejo. O segmento, que possui cerca de US$ 1 trilhão em ativos, sofre com quedas nos retornos e dúvidas sobre sua estabilidade.

As Business Development Companies (BDCs), que atuam como ponte entre bancos e mercados públicos, enfrentam dificuldades com a queda dos juros, revisão de carteiras e pressão para refinanciar dívidas. Esse cenário aumenta os riscos para investidores e exige cautela na análise desses veículos financeiros.

O mercado americano de private debt enfrentou uma semana complicada após a Blue Owl suspender os resgates de um fundo voltado para o varejo. Esse segmento, que já alcança cerca de US$ 1 trilhão em ativos nos EUA, tem visto queda nos retornos, levantando dúvidas sobre sua estabilidade.

Alexandre Muller, CIO da JGP Crédito, destaca que o momento atual “não está diferenciando, só está vendendo”, o que indica que tanto portfólios sólidos quanto os mais frágeis estão sendo impactados no preço. Para ele, é fundamental entender o funcionamento desses veículos para identificar valor real.

Grande parte dos problemas reside nas Business Development Companies (BDCs), que emprestam a empresas de pequeno e médio porte. Funcionando como uma ponte entre bancos e mercados públicos, as BDCs atraíram investidores por seus yields de 10% a 12%, que vêm diminuindo devido à queda dos juros e revisões no valor das carteiras.

Além disso, a competição por spreads menores e a concentração de 20% dos ativos em softwares – um setor com avaliações que sofreram correções – aumentam os riscos. Muitas BDCs também enfrentam pressão para refinanciar dívidas emitidas a custos baixos nos últimos anos, agora mais caros.

Muller ainda cita riscos regulatórios relacionados à manutenção dos índices de alavancagem. Com queda no valor dos ativos, as opções das BDCs para se ajustarem são limitadas: vender ativos com perdas, cortar dividendos ou emitir novas ações com descontos.

Apesar dos desafios, o direct lending mantém espaço por oferecer crédito a empresas pouco atendidas pelos bancos tradicionais. O caminho nos EUA, segundo a JGP, exige cuidado para evitar ampliar riscos e prejuízos no setor.

Via Brazil Journal

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.