Um relatório da Unesco alerta que a inteligência artificial pode colocar em risco até 24% das receitas dos criadores de música até 2028. O estudo destaca também o impacto no setor audiovisual, com perdas que chegam a €4,5 bilhões anuais. A competição entre conteúdo gerado por IA e artistas humanos pode prejudicar a diversidade cultural e a qualidade das obras.
Além disso, a adoção de IA entre músicos independentes tem diminuído, devido a limitações da tecnologia em criatividade pessoal. As questões jurídicas também são um desafio, pois as leis ainda não acompanham o avanço da IA, comprometendo a proteção dos direitos autorais.
A Unesco recomenda políticas mais robustas de direitos autorais, fortalecimento das organizações de gestão coletiva e investimentos em pesquisas para entender melhor o impacto da IA na economia criativa. Sem essas medidas, a tecnologia pode beneficiar principalmente grandes empresas, em detrimento dos artistas.
A edição de 2026 do relatório Re|Shaping Policies for Creativity, publicado pela Unesco, alerta que a disseminação de conteúdo gerado por IA pode ameaçar até 24% das receitas dos criadores de música até 2028. Para o setor audiovisual, o impacto chega a 21%, o que representa perdas anuais de €4 bilhões na música e €4,5 bilhões no audiovisual, segundo estudo da CISAC.
O relatório destaca que a crescente “inundação” de conteúdo sintético nas plataformas digitais cria uma competição em volume, velocidade e custo que difícilmente artistas humanos conseguem igualar. Isso não compromete apenas ganhos financeiros, mas também a diversidade cultural e a qualidade das obras, fundamentais para expressar identidades e valores únicos.
Apesar do crescimento do uso da IA, uma pesquisa da Ditto Music mostra uma queda na adoção da tecnologia por músicos independentes, que passou de 60% em 2023 para 48% em 2025. O motivo principal é a percepção de falta de criatividade pessoal no uso da IA, evidenciando o limite da tecnologia em atender às demandas artísticas.
As questões jurídicas também apresentam desafios: o avanço regulatório não acompanha o ritmo tecnológico, e apenas uma pequena parcela das leis de IA inclui a proteção à cultura. Plataformas como Deezer já buscam identificar conteúdos gerados por IA para garantir remuneração justa aos artistas, mas ainda faltam estruturas sólidas para proteger criadores.
A Unesco recomenda que governos reforcem políticas de direitos autorais, ampliem organizações de gestão coletiva e invistam em pesquisas para avaliar melhor o impacto da IA na economia criativa. Sem regulações adequadas, os benefícios da IA tendem a favorecer grandes empresas e não os artistas.
Via Startups