Albert Einstein se posicionou contra a ideia de que o acaso é fundamental na natureza, expressando isso com a frase “Deus não joga dados”. No século XIX, a visão científica predominante era determinista, acreditando que o futuro do universo podia ser previsto se todas as condições iniciais fossem conhecidas.
Com o desenvolvimento da mecânica quântica, essa perspectiva foi desafiada. Experimentos envolvendo partículas entrelaçadas mostraram que o universo contém elementos aleatórios, o que foi confirmado com o prêmio Nobel de Física de 2022. Essa descoberta colocou em questão o determinismo clássico defendido inicialmente por Einstein.
Apesar disso, a evolução temporal das partículas no nível quântico segue um padrão determinista, e a aleatoriedade aparece apenas durante a observação. Pesquisas continuam buscando formas de conciliar essa aleatoriedade com princípios fundamentais da física, mostrando que o debate filosófico e científico permanece ativo.
Albert Einstein afirmou que Deus não joga dados para expressar sua objeção à ideia de que o acaso fosse fundamental à natureza. No século XIX, a ciência considerava o Universo inteiramente determinista, como exemplificado por Pierre-Simon Laplace, que imaginava uma inteligência capaz de prever tudo se conhecesse as condições iniciais das partículas.
Com o avanço da mecânica quântica, essa visão mudou. Max Born defendeu que o acaso faz parte da essência dos fenômenos quânticos, em contraste com a ideia de Einstein de que deveriam existir variáveis ocultas para explicar o aparente randomness. Essa discussão permaneceu filosófica até 1964, quando John S. Bell formulou desigualdades que poderiam ser testadas para avaliar o determinismo e o acaso na física.
Um experimento hipotético envolve duas “moedas quânticas” que podem ser lançadas em direções distintas por dois cientistas, Cristina e João. Seus resultados apresentam correlações que, segundo as desigualdades de Bell, deveriam indicar se o universo é determinista ou não, respeitando princípios como localidade e livre arbítrio.
Testes reais com fótons entrelaçados demonstraram que as desigualdades de Bell são violadas, resultado que afastou o determinismo local, respaldando a ideia de que o Universo contém elementos aleatórios. Essa descoberta foi reconhecida com o Nobel de Física de 2022 para Clauser, Aspect e Zeilinger.
Entretanto, a evolução temporal no nível quântico é determinista, e a aleatoriedade surge apenas na observação, que pode ocorrer naturalmente, como na desintegração de partículas. Ainda há debates sobre alternativas que conciliem determinismo e não-localidade, como a mecânica bohmiana, ou ideias filosóficas como o superdeterminismo.
Via The Conversation