Procedimentos mais complexos impactam margem da Rede D’Or no último trimestre

Aumento de custos com procedimentos complexos pressiona margem da Rede D’Or, apesar do crescimento da receita no quarto trimestre.
26/02/2026 às 16:21 | Atualizado há 4 horas
               
Margem EBITDA de hospitais ficou abaixo das projeções, atingindo 22% versus 23,1% e 23,2%. (Imagem/Reprodução: Braziljournal)

A Rede D’Or apresentou resultados no quarto trimestre abaixo das expectativas. A receita cresceu 11,2%, atingindo R$ 14,5 bilhões, mas o EBITDA ajustado ficou 4% menor que o projetado. O lucro líquido cresceu 39% em relação ao ano anterior, porém não atingiu as previsões após ajustes.

A margem EBITDA caiu para 22%, abaixo das estimativas, devido ao aumento dos custos com materiais e medicamentos, que representaram 23% da receita. O crescimento de procedimentos complexos, como cirurgias e transplantes, elevou os gastos, pressionando as margens, apesar do aumento do tíquete médio.

O CEO Paulo Moll ressaltou que o EBITDA nominal de alguns hospitais melhorou, o que reduz a preocupação com a margem percentual. A estratégia de focar em procedimentos mais complexos visa aumentar o lucro em longo prazo, mesmo com margens menores atualmente.

A ação da Rede D’Or começou o pregão em queda de 7%, após o quarto trimestre apresentar resultados abaixo das expectativas dos analistas. A receita líquida cresceu 11,2%, atingindo R$ 14,5 bilhões, alinhada ao consenso, mas o EBITDA ajustado ficou 4% abaixo das projeções. O lucro líquido de R$ 1,2 bilhão registrou alta de 39% na comparação anual, porém, descontada a venda da GSH, ficou 10% aquém do esperado.

A margem EBITDA do segmento hospitalar foi de 22%, inferior às estimativas entre 23,1% e 23,2%. O aumento dos custos com materiais e medicamentos, que corresponderam a 23% das receitas, contribuiu para essa queda. O CEO Paulo Moll explicou que o crescimento em procedimentos mais complexos, como transplantes e cirurgias, elevou essas despesas, pressionando a margem, embora o tíquete médio tenha aumentado, beneficiando a receita.

Apesar disso, Moll destacou que alguns hospitais entregaram EBITDA nominal maior, o que minimiza preocupações sobre a margem percentual mais baixa. Um analista reforçou essa trajetória, apontando que focar em cirurgias complexas mira um lucro maior a longo prazo, mesmo que a margem percentual diminua.

O desempenho da SulAmérica, subsidiária no segmento de planos de saúde, também influenciou o resultado. A sinistralidade melhorou, mas houve desaceleração no crescimento do tíquete médio e aumento de despesas com contingências. A CEO Raquel Reis comentou que a empresa está evitando maiores reajustes, adotando modelos como o reembolso modular.

Nas últimas semanas, a Rede D’Or buscou ajustar as projeções com analistas, mas o resultado ficou abaixo das revisões já modestamente corrigidas. A companhia, avaliada em R$ 93 bilhões, viu suas ações subir 45% nos últimos 12 meses, negociadas a múltiplos de 18x lucro estimado para este ano.

Via Brazil Journal

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.