CVC no Brasil: 70% dos fundos corporativos registram perdas financeiras

Mais de 70% dos fundos de corporate venture capital no Brasil apresentam retorno negativo, segundo dados recentes de 2023.
03/03/2026 às 18:41 | Atualizado há 4 horas
               
Taxa interna de retorno média dos fundos CVC é negativa, indicando prejuízo. (Imagem/Reprodução: Startups)

O setor de corporate venture capital (CVC) no Brasil tem registrado perdas significativas, com mais de 70% dos fundos criados por empresas apresentando desempenho financeiro negativo. Dados da Spectra Investimentos mostram que a taxa interna de retorno média desses fundos é de -10%, reforçando que o foco estratégico desses investimentos supera o financeiro.

Desde 2023, o número de novos fundos tem caído drasticamente, passando de 22 em 2022 para apenas 2 em 2024. A pesquisa analisou 32 fundos registrados na Comissão de Valores Mobiliários, indicando que muitos dos investimentos estão concentrados em setores sem relação direta com o core business das empresas investidoras.

Além disso, os investimentos realizados diretamente pelos CVCs apresentam menor risco, mas também retornos mais modestos, enquanto co-investimentos com fundos emergentes mostram maior incidência de perdas. Isso evidencia os desafios e complexidades do mercado brasileiro de venture capital corporativo atualmente.

Após o crescimento intenso em 2021 e 2022, o setor de corporate venture capital (CVC) no Brasil apresenta retração significativa desde 2023. Dados da Spectra Investimentos indicam que mais de 70% dos fundos desse segmento têm retornos negativos, reforçando que o foco dessas operações é mais estratégico do que financeiro. Enquanto em 2022 foram criados 22 fundos, apenas dois novos surgiram em 2024.

A pesquisa considerou 32 fundos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e apontou uma taxa interna de retorno (TIR) média de -10%, com mediana em -12%. Apenas 10% dos fundos positivos alcançam retornos entre 25% e 50%. A análise identifica ainda que cerca de 30% dos fundos têm menos de três anos, o que pode indicar influência da curva J típica de venture capital, mas não justifica totalmente o desempenho negativo geral.

O relatório destaca que muitos CVCs atuam com objetivos de inovação em áreas que nem sempre se alinham diretamente com a atividade principal da empresa investidora. Cerca de 34% dos investimentos foram feitos em setores sem relação direta com o core business das corporações.

Sobre os tipos de investimentos, os realizados independentemente pelos CVCs mostram menor risco, com 25% de retornos negativos, mas também menor potencial de retorno elevado. Já co-investimentos com fundos tradicionais ou emergentes apresentam resultados semelhantes, com aproximadamente um terço dos investimentos negativos. A diferença maior está nos write-offs, mais frequentes nos co-investimentos com fundos mais novos.

Via Startups

Sem tags disponíveis.
Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.