Caso das células imortais de Henrietta Lacks tem novo capítulo judicial

Família de Henrietta Lacks obtém acordo com farmacêutica por uso indevido das células HeLa.
03/03/2026 às 19:21 | Atualizado há 3 horas
               
Henrietta Lacks morreu em 1951; suas células vivem ainda em laboratórios globais. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Henrietta Lacks teve suas células tumorais coletadas em 1951 sem autorização, dando origem à linhagem HeLa, amplamente usada em pesquisas médicas.

Décadas depois, em 2024, a família de Lacks conseguiu um acordo com a farmacêutica Novartis, acusada de lucrar com essas células sem consentimento.

O caso destaca a importância do respeito à ética na ciência e o debate sobre os direitos dos pacientes em relação ao material biológico.

Henrietta Lacks, que faleceu em 1951 devido a um câncer no colo do útero, teve suas células tumorais coletadas sem autorização no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. Essas células, chamadas HeLa, possuem a capacidade de se multiplicar indefinidamente em laboratório, tornando-se essenciais para pesquisas biomédicas sobre doenças como HPV, HIV e Covid-19.

A linhagem HeLa foi uma das primeiras a revolucionar a pesquisa científica por permitir testes prolongados em culturas celulares. Contudo, o uso das células ocorreu sem o consentimento da paciente e de seus familiares, que só foram informados em 1973. Desde então, a família iniciou processos judiciais contra empresas do setor farmacêutico, alegando lucro indevido com a linhagem celular.

Em 2024, a farmacêutica Novartis fechou um acordo extrajudicial com os herdeiros de Lacks após ser acusada de lucrar com o uso das células sem autorização. O termo do acordo, definido num tribunal federal em Maryland, não teve seus detalhes divulgados. Situações similares envolvem outras companhias, como Thermo Fisher Scientific, que enfrenta uma ação judicial desde 2021, e processos ainda em curso contra Ultragenyx e Viatris.

Apesar das controvérsias, as células HeLa continuam a ser cultivadas globalmente, contribuindo para avanços na medicina e no desenvolvimento de vacinas. O caso ressalta a importância do respeito aos direitos dos pacientes no uso de material biológico e reabre discussões sobre ética na ciência.

Via Galileu

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