Brasil atualiza política de defesa, mas mantém foco em ameaças militares tradicionais

Brasil revisa política de defesa, mas mantém atenção nas ameaças militares tradicionais e não nos desafios atuais.
03/03/2026 às 21:41 | Atualizado há 15 horas
               
A descrição critica a atualização defasada da doutrina de segurança nacional de Brasília. (Imagem/Reprodução: Theconversation)

Em novembro de 2025, o Brasil atualizou sua política nacional de defesa, renovando os documentos centrais da estratégia de segurança do país. A atualização mantém o foco em ameaças militares tradicionais, como invasões externas.

No entanto, os desafios reais atuais envolvem crimes organizados, ataques cibernéticos e impactos climáticos, que não são contemplados na doutrina atual. Essa discordância mostra que o Brasil está resolvendo problemas que não correspondem às reais ameaças.

Para garantir segurança eficaz, o país precisa adotar uma visão mais ampla, integrando defesa militar, civil e digital. O fortalecimento das instituições democráticas e a resiliência civil são fundamentais para responder aos riscos do século XXI.

Em novembro de 2025, o governo brasileiro renovou discretamente a política nacional de defesa, a estratégia nacional de defesa e o livro branco de defesa nacional, documentos centrais para a segurança do país. Apesar da atualização, a abordagem permanece focada em ameaças externas tradicionais, como possíveis invasões militares, o que já não reflete os desafios atuais enfrentados pelo Brasil.

Hoje, as principais ameaças são bem diferentes: redes criminosas controlando fronteiras, desastres climáticos afetando sistemas energéticos e alimentares, ataques de ransomware a hospitais públicos e campanhas de desinformação que enfraquecem instituições democráticas. Essas questões exigem uma visão mais ampla da segurança, que vá além da simples defesa territorial.

A crescente presença do crime organizado, que opera em segmentos como mineração ilegal e lavagem de dinheiro, associada à vulnerabilidade diante de ataques cibernéticos—o Brasil respondeu por cerca de 30% das vítimas de ransomware na América Latina em 2025—e impactos climáticos evidenciam lacunas na doutrina atual. Ainda assim, os recursos continuam focados na dimensão militar, em vez de fortalecer prevenções e a resiliência civil.

Outros países já adotaram modelos amplos de segurança, integrando defesa militar, civil, econômica e digital para responder ao ambiente multifacetado das ameaças modernas. Para o Brasil, reconhecer riscos sistêmicos e fortalecer instituições democráticas é fundamental para adaptar sua segurança ao século XXI.

Fazer isso inclui proteger serviços públicos e cadeias de suprimentos, combater a corrupção como risco estratégico e investir em infraestrutura resiliente. Se essa mudança não acontecer, o país continuará vulnerável a crises que uma abordagem militar tradicional não resolve.

Via The Conversation

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.