Jaqueira invasora compromete solo e afeta sapos na Mata Atlântica

Estudo revela como a jaqueira invasora altera o solo da Mata Atlântica e prejudica a diversidade de sapos na região.
05/03/2026 às 11:41 | Atualizado há 3 horas
               
Espécies invasoras ameaçam a biodiversidade ao alterar habitats e reduzir espécies nativas. (Imagem/Reprodução: Theconversation)

A jaqueira, considerada uma árvore invasora, está alterando o solo da Mata Atlântica, reduzindo a camada de folhas no chão da floresta e afetando a fauna local. Pesquisas na Reserva Biológica Duas Bocas mostram que essa mudança diminui a presença de artrópodes, essenciais para o equilíbrio do ecossistema.

Isso impacta diretamente espécies de sapos que dependem da umidade e da diversidade do habitat. Enquanto sapos adaptados a ambientes alterados aumentam, espécies que necessitam de condições estáveis e úmidas apresentam declínio. A jaqueira atua como um filtro ecológico, favorecendo espécies generalistas.

O estudo aponta para a necessidade de ações de manejo que restaurem a biodiversidade e a complexidade do solo da Mata Atlântica, protegendo não só a flora, mas também a fauna dependente desse ambiente.

Espécies invasoras representam uma ameaça significativa para a biodiversidade global, afetando diretamente os ecossistemas onde se estabelecem. Na Mata Atlântica brasileira, a jaqueira é um exemplo dessa influência, alterando não apenas a vegetação, mas também o ambiente do chão da floresta, conhecido como serapilheira, que é fundamental para a vida de diversas espécies.

Um estudo recente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro na Reserva Biológica Duas Bocas, Espírito Santo, demonstrou que a jaqueira reduz a profundidade da camada de folhas e diminui a abundância de artrópodes, invertebrados essenciais para o equilíbrio do ecossistema e fonte de alimento para pequenos vertebrados como sapos. Essa simplificação do habitat compromete a umidade e a estabilidade necessária para espécies sensíveis.

A pesquisa analisou três espécies de sapos com diferentes necessidades ecológicas. O sapo-cururuzinho, mais adaptado a ambientes alterados, foi encontrado com maior frequência em áreas ocupadas pela árvore invasora. Por outro lado, a rãzinha-do-folhiço, que depende de ambientes úmidos e estáveis, apresentou declínio nas mesmas áreas. O sapo-de-chifres não sofre impacto direto da jaqueira, mas sua ocorrência está ligada à qualidade da serapilheira e disponibilidade de artrópodes, que são reduzidos em locais invadidos.

Esse fenômeno indica que a jaqueira atua como um filtro ecológico, favorecendo espécies generalistas e promovendo a homogeneização biológica, com perda de diversidade funcional. Portanto, o manejo ambiental precisa considerar o efeito indireto sobre a fauna e incentivar ações que restauram a complexidade do habitat, garantindo a recuperação da vegetação nativa e da serapilheira.

Entender esses impactos é vital para proteger ecossistemas vulneráveis e orientar políticas mais efetivas de conservação da Mata Atlântica.

Via The Conversation

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.