Pesquisa revela que obsessão pelo peso prejudica a saúde mental dos jovens

Estudo aponta que controlar rigorosamente o peso aumenta ansiedade e depressão em jovens.
10/03/2026 às 10:17 | Atualizado há 3 horas
               
Adolescentes com peso adequado e excesso de preocupação corporal têm mais sofrimento psicológico. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Um estudo da Universidade de Warwick mostrou que jovens que controlam rigidamente o peso, por meio de dietas restritivas e exercícios focados no emagrecimento, apresentam mais sintomas de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico na vida adulta.

A pesquisa, feita com adolescentes entre 17 e 20 anos, evidenciou que aqueles que não adotavam dietas ou exercícios para emagrecer tinham melhor saúde mental. Já os jovens com sobrepeso, baixo peso ou que mantinham controle rigoroso apresentaram pior bem-estar psicológico.

A relação com a alimentação e exercício influencia mais que os hábitos em si. A preocupação excessiva, baseada em autocrítica e medo de engordar, aumenta ansiedade e baixa autoestima, afetando principalmente meninas devido à pressão estética das redes sociais.

Um estudo da Universidade de Warwick, na Inglaterra, apontou que jovens que controlam rigidamente peso, por meio de dietas restritivas e exercícios focados em emagrecimento, apresentam mais sintomas de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico na vida adulta. Os dados foram coletados no Millennium Cohort Study, pesquisa que acompanha milhares de adolescentes desde a infância.

Os participantes, de 17 a 20 anos, responderam questionários sobre saúde mental, peso, hábitos alimentares e atividade física. O grupo de jovens com peso normal que não adotava dietas ou exercícios visando emagrecer mostrou melhor saúde mental. Já adolescentes com sobrepeso, baixo peso ou que mantinham controle rígido da alimentação e exercício relataram pior bem-estar psicológico.

A psicóloga Patrícia Cristina Gomes destaca que a relação do jovem com a alimentação e o exercício é mais relevante do que os próprios hábitos. Quando a preocupação nasce de autocrítica, medo de engordar e comparação social, o cuidado deixa de ser salutar e vira fonte de ansiedade e baixa autoestima.

O estudo também mostrou que o estigma relacionado ao peso afeta a saúde mental independentemente do índice de massa corporal (IMC). Jovens que sentem pressão social sofrem mais ansiedade e depressão, mesmo estando com peso considerado normal.

Além disso, alto grau de neuroticismo foi identificado entre jovens que monitoram obsessivamente o corpo. Isso intensifica emoções negativas e sofrimento. Meninas apresentam maior vulnerabilidade a esses efeitos, influenciadas por padrões estéticos reforçados nas redes sociais.

Ficar atento a comportamentos como autocobrança extrema, culpa por comer e exercício visto como obrigação pode ajudar a identificar sofrimento psicológico. A psicoterapia pode contribuir para melhorar a relação com o corpo e reduzir o impacto do estigma.

Via Galileu

Sem tags disponíveis.
Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.