A Raízen enfrenta uma crise financeira severa devido ao aumento do endividamento, fatores climáticos adversos e divergências entre os sócios. A empresa, que investiu em projetos como o etanol de segunda geração, viu os retornos ficarem abaixo do esperado e teve sua dívida saltar para R$ 55 bilhões em 2026.
Além disso, a diversificação para áreas fora do foco principal piorou a situação e os altos juros elevaram as perdas operacionais. A desaceleração do mercado de biocombustíveis verdes dificultou sua recuperação financeira, enquanto o mercado de carbono ainda é incipiente.
Para tentar reorganizar as finanças, a Raízen busca focar no core business, vendendo ativos e enfrentando a discordância entre seus acionistas. A situação pressiona a empresa a considerar uma recuperação extrajudicial para evitar maiores danos.
A Raízen admitiu formalmente que uma solução para sua situação financeira pode incluir um pedido de recuperação extrajudicial. A empresa, nascida em 2011 da joint venture entre Shell e Cosan, enfrenta uma crise que combina altos níveis de endividamento, investimentos arriscados e condições climáticas desfavoráveis. Desde 2016, a Raízen ampliou sua atuação e investiu pesado em projetos de transição energética, como o etanol de segunda geração (E2G), mas os retornos financeiros foram mais lentos do que o previsto.
Em meio a juros elevados e perdas operacionais, a companhia também diversificou suas atividades para áreas distantes do negócio principal, o que complicou ainda mais sua estrutura financeira. O endividamento, que era sustentável em 2021 com R$ 13,8 bilhões, saltou para R$ 55 bilhões em 2026, impulsionando a alavancagem para 5,3 vezes o Ebitda, uma relação considerada crítica.
A desaceleração do mercado para biocombustíveis verdes, como o etanol E2G, também impactou, já que consumidores não pagaram o prêmio esperado por combustíveis mais limpos, e o mercado de carbono ainda é incipiente. Enquanto isso, produtos mais simples, como o etanol de milho, ganharam espaço rápido.
Com a saída de sócios e venda de ativos, a empresa tenta focar no seu core business: produção de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis. A falta de acordo entre os principais acionistas dificulta a capitalização necessária para fortalecer a companhia, pressionada pelos credores e pelo mercado.
Via InfoMoney