As Forças Armadas dos EUA atingiram metas militares no Iraque, mas o país segue instável e sob forte influência iraniana. Milícias e políticos apoiados pelo Irã dominam o cenário local, evidenciando a complexidade regional.
Apesar do investimento bilionário e vidas perdidas, o Iraque enfrenta continuação da instabilidade política e militar, com a dissolução do antigo exército e o fortalecimento de grupos alinhados a Teerã. Isso criou um vácuo de poder e insurreição.
A situação mostra que o sucesso militar não garante estabilidade política. Um possível conflito com o Irã enfrentaria redes armadas e organizadas, com riscos altos de colapso econômico e político para a região.
As Forças Armadas dos Estados Unidos cumpriram seus objetivos militares no Iraque em 2003, como a captura e execução de Saddam Hussein e o rápido colapso do regime. No entanto, mais de 20 anos depois, o país segue como um Estado autoritário, com forte influência do Irã. Milícias apoiadas por Teerã operam abertamente e ocupam cargos oficiais no governo iraquiano.
Após um investimento de cerca de US$ 2 trilhões e a perda de 4.488 vidas americanas, o Iraque está sob a esfera de influência iraniana. A dissolução do Partido Baath e do exército iraquiano pela Administração Provisória da Coalizão, liderada por L. Paul Bremer, criou um vácuo de poder e alimentou a insurgência sunita. A máquina burocrática e administrativa do país foi desmontada, levando à instabilidade política.
A influência do Irã no Iraque cresceu desde a Guerra Irã-Iraque dos anos 1980, quando Teerã construiu redes políticas e milícias xiitas. Quando o regime de Saddam caiu, essas redes estavam prontas para preencher o vazio. Da mesma forma, no Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica domina a economia e a política, representando o poder consolidado do regime, mesmo após a morte do aiatolá Ali Khamenei.
A experiência iraquiana mostra que o sucesso militar não garante estabilidade política. No Irã, qualquer tentativa de mudança de regime enfrentaria redes bem armadas e organizadas, sem um plano claro para uma transição legítima. A questão permanece: quem governará e como será possível garantir estabilidade sem destruir completamente o Estado, evitando o colapso econômico.
Via The Conversation