No Museu de Belas Artes de Blois, França, uma página perdida do Palimpsesto de Arquimedes foi redescoberta. A folha 123 contém partes essenciais do tratado “Sobre a Esfera e o Cilindro”, obra importante da matemática antiga.
O manuscrito é do século 10 e foi reutilizado na Idade Média, passando por diversos locais antes de desaparecer por décadas. A redescoberta ocorreu ao comparar a folha com fotos históricas da Biblioteca Real Dinamarquesa.
Pesquisadores planejam usar técnicas avançadas para revelar o conteúdo coberto por uma pintura, buscando ampliar o conhecimento sobre o manuscrito e sua história.
No início de março, uma página perdida do Palimpsesto de Arquimedes foi redescoberta no Museu de Belas Artes de Blois, França. Trata-se da folha 123, que contém trechos do tratado “Sobre a Esfera e o Cilindro”, obra fundamental para a história da matemática. A descoberta foi feita por Victor Gysembergh, do CNRS, ao examinar folhas soltas antigas.
Este manuscrito grego-bizantino do século 10 foi reutilizado na Idade Média, prática comum devido ao custo do pergaminho. Entre as alterações, suas páginas deram lugar a textos litúrgicos cristãos. O palimpsesto já passou por vários locais, como o mosteiro de Mar Seba e Constantinopla, onde foi fotografado em 1906 por Johan Ludvig Heiberg.
Após décadas desaparecido, o manuscrito foi comprado em 1998 por um colecionador particular e emprestado para estudo no Walters Art Museum, EUA. Três folhas desapareceram nesse processo, inclusive a agora recuperada folha 123. A identificação foi confirmada ao comparar a página, desgastada, com fotos históricas guardadas na Biblioteca Real Dinamarquesa.
O fólio exibe, de um lado, orações e diagramas geométricos, além de uma passagem do tratado. O verso traz uma iluminura do profeta Daniel, adicionada no século 20, que cobre o texto antigo. A técnica convencional não permite acessar essa escrita.
Gysembergh planeja usar métodos avançados de escaneamento multiespectral e análise por fluorescência para revelar o conteúdo sob a pintura sem danificar o pergaminho. Essa tecnologia pode melhorar a compreensão não apenas dessa página, mas do palimpsesto inteiro.
Via Revista Galileu