Investidores estão avaliando o novo patamar de preço dos créditos da Raízen, que passou a solicitar recuperação extrajudicial para reestruturar suas dívidas. Um lote de R$ 8 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) foi negociado a cerca de 40% do valor de face, enquanto outro CRA de R$ 600 milhões, com vencimento próximo, caiu para aproximadamente 30% do valor nominal.
Esse movimento ocorre em um cenário de pouca liquidez, já que esses títulos chegaram a ser negociados com prêmio em fevereiro. Pessoas físicas, que possuem grande parte dos CRAs, tendem a vender nervosamente nessas situações, contribuindo para a queda dos preços.
A Raízen tem um passivo total em torno de R$ 65 bilhões, com cerca de R$ 25 bilhões em bonds e R$ 11 bilhões em títulos no Brasil, divididos igualmente entre debêntures e CRAs, segundo dados da plataforma Vitrify. Nenhum desses títulos conta com garantia real. Atualmente, a média dos papéis no mercado brasileiro negocia por volta de 40% do valor de face, enquanto os bonds ficam perto de 50%.
Entre as novidades da recuperação extrajudicial está o apoio antecipado de credores ao standstill, que suspende o pagamento do principal e dos juros por 90 dias, medida já adotada por credores que somam 47% da dívida. Essa estratégia visa dar mais tranquilidade para fornecedores e colaboradores, ao mesmo tempo que começa a negociação para alongamento de prazos e possível conversão em participação societária.
Via Brazil Journal