Por que classificar facções brasileiras como organizações terroristas é inadequado

Entenda por que designar facções brasileiras como organizações terroristas pode prejudicar a cooperação e o combate ao crime.
12/03/2026 às 16:09 | Atualizado há 6 dias
               
Classificar essas organizações como terroristas nos EUA falta base legal e factual. (Imagem/Reprodução: Theconversation)

A proposta de designar facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas enfrenta críticas. Enquanto o crime organizado visa o lucro e controle comercial, o terrorismo tem motivação política, o que não se aplica a essas facções.

Além disso, a atuação dessas facções em território americano é limitada, diferentemente dos cartéis mexicanos. A medida pode prejudicar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos e impactar a economia brasileira.

Especialistas defendem que o combate deve focar em controle de armas, inteligência financeira e cooperação bilateral, respeitando a soberania nacional e as leis brasileiras.

A arquitetura de segurança das Américas tem passado por mudanças significativas. Entre 2025 e 2026, os Estados Unidos mudaram sua política de cooperação policial para uma abordagem unilateral e mais dura, classificando cartéis mexicanos e o grupo venezuelano Tren de Aragua como organizações terroristas. Agora, o foco recai sobre as facções brasileiras, com proposta de designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Foreign Terrorist Organizations (FTO).

Essa ação enfrenta críticas por não se basear em argumentos legais ou fatos sólidos. O crime organizado, conforme a Convenção de Palermo, busca lucros e controle de mercados ilícitos, enquanto o terrorismo, segundo a legislação dos EUA, envolve violência com motivação política contra civis. O PCC e o CV não possuem objetivos ideológicos ou políticos, mas sim estruturam-se como organizações de controle comercial, sem intenção de derrubar governos ou causar terror ideológico.

Além disso, a presença dessas facções em solo americano é limitada, com atuação logística pontual. Ao contrário dos cartéis mexicanos, que alimentam crises como a do fentanil nos EUA, o PCC direciona suas atividades principalmente a exportações para Europa e África, gerando lucros maiores.

A designação como organizações terroristas parece mais uma ferramenta política americana, já usada contra a Venezuela, que uma estratégia real de segurança. Isso pode prejudicar a cooperação entre Brasil e EUA, afetar o combate ao crime e gerar impactos econômicos, como o aumento dos custos de transações financeiras e isolamento do Brasil.

O combate eficiente exige foco no controle de armas, inteligência financeira e cooperação bilateral, respeitando as leis específicas brasileiras e a soberania nacional.

Via The Conversation

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