Nos últimos anos, o tempo das empresas nos portfólios dos fundos de private equity no Brasil aumentou para cerca de seis anos e três meses, segundo relatório da Bain & Company. Esse crescimento reflete maior seletividade dos gestores e dificuldade para encontrar oportunidades de venda.
Apesar da manutenção no volume de vendas, a proporção de empresas vendidas diminuiu, o que elevou o número de empresas em carteira, impactando a taxa de retorno dos fundos. Investidores buscam estratégias para agregar mais valor e justificar melhores preços na venda.
Este cenário acompanha uma tendência global, com aumento do tempo médio de investimento em portfólios de private equity, pressionando o mercado e influenciando captações de novos fundos, especialmente entre investidores tradicionais como fundos de pensão.
Nos últimos anos, a indústria brasileira de private equity enfrenta um aumento no tempo que as empresas permanecem nos portfólios dos fundos antes de serem vendidas. Entre 2023 e 2025, esse período médio chegou a seis anos e três meses, um crescimento em relação aos cinco anos e três meses registrados entre 2018 e 2022, segundo relatório da Bain & Company.
Apesar da quantidade de vendas não ter caído, o percentual de empresas vendidas em relação ao total diminuiu. Em 2023, as saídas representavam 9% do portfólio, enquanto em 2025 esse número caiu para 4%. Isso ocorre porque as gestoras continuam adquirindo empresas, aumentando o estoque em carteira.
Atualmente, cerca de 250 empresas compõem os portfólios, das quais metade está investida há mais de quatro anos e 30% por mais de seis anos – grupo que geralmente deveria ser vendido. Esse cenário reflete uma maior seletividade dos investidores e maior dificuldade para encontrar eventos de liquidez, que reduz a taxa de retorno dos fundos.
A demora para realizar as vendas obriga os fundos a buscar planos robustos para agregar valor às empresas e justificar um preço maior na venda. Além disso, a queda na rentabilidade preocupa investidores tradicionais, como fundos de pensão e soberanos, dificultando captações para novos negócios.
Globalmente, a tendência é semelhante. De acordo com dados internacionais, houve aumento da proporção de empresas com mais de cinco anos nos portfólios de 33% para 39% entre 2023 e 2025, enquanto a participação das mais recentes diminuiu. O cenário mantém a pressão para aumento do tempo médio de investimento.
Via InfoMoney