Especialistas alertam para falta de regras de segurança em brinquedos com inteligência artificial para crianças

Estudo aponta ausência de normas eficazes para segurança de brinquedos com IA voltados a crianças pequenas.
19/03/2026 às 07:01 | Atualizado há 1 dia
               
Relatório da Inglaterra alerta riscos emocionais e uso de dados na primeira infância. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Pesquisadores da Universidade de Cambridge indicam que brinquedos com inteligência artificial direcionados a crianças pequenas ainda carecem de regulamentações específicas e eficazes para garantir a segurança dos usuários.

O estudo destaca que esses brinquedos podem apresentar falhas em reconhecer emoções infantis, o que pode afetar o desenvolvimento emocional das crianças. Além disso, há riscos relacionados à coleta e uso de dados, devido à pouca transparência nas políticas de privacidade.

Especialistas recomendam maior controle regulatório, testes rigorosos com participação de crianças e transparência nos dados coletados. Pais são orientados a acompanhar o uso e a preferir brincadeiras em ambientes compartilhados para proteger os pequenos.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge alertam sobre os riscos dos brinquedos com inteligência artificial (IA) voltados para crianças pequenas. Um relatório inédito, parte do projeto “AI in the Early Years”, aponta que esses dispositivos ainda não possuem padrões adequados de segurança e precisam de regulamentação mais rígida para uso seguro.

O estudo envolveu observações e entrevistas com crianças até cinco anos, pais e especialistas. Embora esses brinquedos possam ajudar no desenvolvimento da linguagem, eles apresentam limitações importantes. Frequentemente, falham em reconhecer emoções e responder adequadamente a interações afetivas, o que é essencial para o desenvolvimento emocional infantil.

Um exemplo do relatório mostra como, ao ouvir um “eu te amo”, o brinquedo respondeu de forma impessoal. Em outra situação, ele ignorou uma expressão de tristeza da criança, redirecionando a conversa. Para os pesquisadores, isso pode levar crianças a acreditar que seus sentimentos não são importantes.

O documento também alerta para vínculos emocionais artificiais que crianças desenvolvem com esses brinquedos, chegando a abraçá-los e declarar amor. Essa relação “parassocial” pode gerar confusão, já que o afeto do brinquedo não é genuíno. Especialistas recomendam regular essas interações para evitar impactos negativos.

Outro ponto de atenção é a coleta de dados sensíveis. Pais e pesquisadores relataram falta de transparência nas políticas de privacidade, dificultando o controle sobre as informações captadas.

Entre as recomendações, estão: criar normas específicas, limitar vínculos emocionais profundos, tornar políticas de privacidade claras, realizar testes com crianças antes do lançamento e incluir especialistas em proteção infantil no desenvolvimento desses brinquedos. Pais são orientados a monitorar o uso e preferir locais compartilhados para as brincadeiras.

Via Galileu

Sem tags disponíveis.
Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.