A guerra global impacta negativamente os fundos multimercado em março

Guerra e alta do petróleo provocam perdas em 80% dos fundos multimercado em março, segundo análise do mercado financeiro.
19/03/2026 às 12:21 | Atualizado há 6 horas
               
Volatilidade global impacta fortemente fundos multimercado, exigindo atenção redobrada. (Imagem/Reprodução: Braziljournal)

A guerra internacional e o aumento inesperado do preço do petróleo causaram forte impacto nos fundos multimercado em março. Cerca de 80% desses fundos registraram resultados negativos, com perdas médias de 1,7%, e algumas quedas inferiores a 10%. Muitos instrumentos de proteção falharam diante dessas mudanças repentinas.

Além disso, o medo de inflação crescente levou a ajustes significativos nas curvas de juros globais e ações estratégicas do Tesouro Nacional brasileiro, que precisou recomprar títulos para manter a liquidez. A valorização do dólar e a queda do ouro indicam movimentos de gestores buscando equilíbrio em meio à instabilidade.

Com retorno médio de 1,3% em 2024, o cenário permanece incerto. Gestores buscam reduzir exposição enquanto fatores locais e globais, como greve de caminhoneiros e correção no setor de tecnologia, ainda pesam nas decisões financeiras dos fundos multimercado.

A rápida alteração no cenário econômico global afetou significativamente os fundos multimercado. Uma análise da consultoria Outliers Advisory, com 243 fundos coletados até 17 de março, revelou que 80% dos fundos multimercado apresentaram resultados negativos neste mês. A perda média foi de 1,7%, com 44 fundos sofrendo quedas acima de 3% e alguns passando de 10%.

Segundo Samuel Ponsoni, fundador da Outliers Advisory, a guerra global foi o principal fator para essa mudança. Ele explica que o aumento inesperado do preço do petróleo em março, após uma tendência de queda, causou impacto imediato nos preços dos ativos. Muitos instrumentos de proteção, os chamados hedges, deixaram de proteger como esperado.

O medo de uma inflação crescente também levou à abertura das curvas de juros em vários países. No Brasil, o Tesouro Nacional precisou realizar leilões para recomprar títulos pré-fixados e atrelados à inflação, garantindo liquidez ao mercado, que estava sem referência de preço.

Outra mudança foi a valorização do dólar e a queda do ouro, possivelmente por gestores vendendo ativos valorizados para cobrir perdas ou comprar ativos com preços mais baixos.

Eduardo Rosman, analista do BTG Pactual, relata que muitos fundos macro/hedge estão reduzindo exposição em busca de um cenário mais claro. Entre as preocupações estão a correção das ações de tecnologia e acontecimentos locais, como a possibilidade de uma greve dos caminhoneiros.

Após março, o retorno médio dos fundos multimercado em 2024 é de apenas 1,3%, menos da metade do CDI, com só 24% dos fundos superando esse índice. Em 12 meses, o rendimento médio é de 15%, ligeiramente acima do CDI de 14,75%, sendo que metade dos fundos conseguiu superar essa referência.

Via Brazil Journal

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.