Como a inteligência artificial ajuda a desvendar jogos de tabuleiro milenares

Descubra como a inteligência artificial está reconstruindo regras de jogos antigos e auxiliando pesquisas arqueológicas.
24/03/2026 às 06:21 | Atualizado há 4 horas
               
IA pode revelar regras perdidas de jogos antigos sem manual de instrução. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Pesquisas arqueológicas no Irã revelaram jogos de tabuleiro com cerca de 4,5 mil anos, cuja estrutura complexa indica regras específicas. A reconstrução dessas regras sempre foi um desafio pela falta de documentação.

Recentemente, pesquisadores usam inteligência artificial para analisar o desgaste em tabuleiros antigos e simular partidas, sugerindo padrões de jogadas e sistemas de bloqueio entre os jogadores.

Essa aplicação da IA amplia o entendimento dos jogos milenares e contribui para decifrar artefatos fragmentados, trazendo novas perspectivas para a arqueologia e o estudo de culturas antigas.

Nas regiões que hoje compõem o Irã, há cerca de 4,5 mil anos, já se praticavam jogos de tabuleiro, cujos conjuntos foram encontrados intactos em escavações arqueológicas em Shahr-i Sokhta. Embora sejam descobertos tabuleiros antigos com frequência, o esforço para reconstruir suas regras é geralmente complicado pela ausência de documentação. O caso do conjunto mais antigo com peças específicas para funções no jogo é notável, pois indica uma estrutura mais complexa do que meros jogos de corrida.

Mais recentemente, a inteligência artificial foi incorporada ao estudo desses jogos milenares. Um pesquisador da Universidade de Leiden adotou métodos de IA para analisar o desgaste nas linhas de um tabuleiro de 1.500 a 1.700 anos, sugerindo quais seriam os movimentos predominantes das peças. Essa análise, aliada ao uso de bancos de dados de regras de jogos, permitiu que agentes virtuais simulassem milhares de partidas, revelando que o jogo fazia uso de um sistema de bloqueio. Este é um formato em que o objetivo é impedir os movimentos do oponente.

Esses avanços mostram que a inteligência artificial pode apoiar pesquisas arqueológicas ao decifrar padrões em artefatos fragmentados, trazendo luz a práticas culturais antigas. Enquanto o reconhecimento humano ainda luta para entender jogos com regras ausentes, a capacidade da IA de processar dados e reconhecer padrões complexos abre novas possibilidades para esse campo de estudo.

Via Galileu

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.