Dieta na antiga Mesopotâmia: estudo revela hábitos alimentares por análise dental

Análise de dentes mostra que mesopotâmicos comiam principalmente cereais e pouca carne, segundo estudo recente.
25/03/2026 às 13:01 | Atualizado há 5 horas
               
Registro oficial difere da dieta real da população, mostrando divergências na prática. (Imagem/Reprodução: Revistagalileu)

Um estudo recente analisou esmaltes dentários para entender a dieta da antiga Mesopotâmia, focando na população comum da cidade suméria de Abu Tbeirah, no atual Iraque. A pesquisa revelou que o consumo principal era de cereais como trigo e cevada, com ingestão moderada de carne suína.

O estudo descartou a ideia de uma dieta rica e variada, indicada por textos antigos, apontando para uma alimentação simples, com poucas proteínas animais e quase nenhum peixe, apesar da proximidade do Golfo Pérsico. Homens e mulheres tinham dieta semelhante, demonstrando acesso uniforme aos alimentos.

Além disso, os dados indicam que o aleitamento materno exclusivo durava cerca de seis meses, seguido por introdução gradual de leite animal e cereais. Essa técnica que usa análise isotópica do esmalte dental abre novas possibilidades para pesquisas arqueológicas em regiões difíceis para conservação de materiais orgânicos.

Uma pesquisa recente liderada por Matteo Giaccari, da Universidade Sapienza de Roma, trouxe novos insights sobre a alimentação na antiga Mesopotâmia por meio da análise do esmalte dentário. Estudando restos humanos de Abu Tbeirah, cidade suméria de 4,5 mil anos localizada no sul do atual Iraque, os pesquisadores foram capazes de reconstruir a dieta das classes comuns, um aspecto pouco explorado até agora.

Devido à dificuldade de preservar o colágeno ósseo em ambientes áridos e salinos, o grupo optou pela análise de isótopos de zinco no esmalte dentário. Esses isótopos funcionam como indicadores da cadeia alimentar, revelando a proporção entre vegetais e proteínas animais consumidos. A investigação apontou que a alimentação predominante era baseada em cereais do grupo C3, principalmente trigo e cevada, com consumo moderado de carne de porco.

Ao contrário do que textos antigos escritos pelas elites sugerem, mostrando uma dieta rica e variada que incluía peixe e cerveja, os dados químicos indicam uma alimentação mais simples e restrita em proteínas animais, quase sem consumo de peixe, apesar da proximidade da cidade com a costa do Golfo Pérsico. Não foram encontradas diferenças alimentares significativas entre homens e mulheres, o que indica uma relativa uniformidade no acesso ao alimento entre a população comum.

Além disso, o estudo revelou padrões infantis consistentes com o aleitamento materno exclusivo por seis meses, seguido de desmame gradual com leite animal e cereais, alinhado a práticas pré-industriais e registros cuneiformes. Essa abordagem usando esmalte dentário abre novos caminhos para a arqueologia, especialmente em regiões de difícil conservação dos materiais orgânicos.

Via Galileu

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.