Miami avança como polo financeiro e atrai capital global

O distrito de Brickell, onde a última XP Global Conferente foi realizada, transformou-se em um hub que abriga hoje mais de 60 bancos internacionais e movimenta cerca de US$ 28 bilhões anuais na economia local.
25/03/2026 às 17:18 | Atualizado há 3 horas
               

A edição de 2026 da XP Global Conference, realizada no coração financeiro de Miami, ocorreu em um momento em que as bússolas dos investidores globais parecem buscar um novo Norte. No centro desse debate, o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, participou in loco do evento e aponta para uma reconfiguração profunda nas estratégias de investimento.

O desafio da eficiência: a visão de Howard Marks

 

Nos bastidores do primeiro dia da XP Global Conference, Mendlowicz teve a oportunidade de gravar um vídeo exclusivo com Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital e um dos nomes mais respeitados do value investing global. No centro da conversa, a crescente dificuldade de encontrar retornos assimétricos em um mercado cada vez mais institucionalizado.

Para o economista, a percepção de Marks reforça a necessidade de uma análise técnica profunda para o investidor moderno. \”Tive a chance de conversar com o Howard Marks e ele foi muito enfático: temos que assumir que os outros investidores também vão descobrir as oportunidades. Os mercados tornam-se mais eficientes à medida que são descobertos, e a verdadeira \’vantagem\’ está em áreas onde a informação ainda não é óbvia\”, destaca Mendlowicz.

Geopolítica e o radar americano sobre a América Latina

 

O cenário macroeconômico global, marcado por uma fragmentação geopolítica sem precedentes na última década, foi outro pilar das discussões. Segundo dados observados por Mendlowicz no evento, o número de conflitos globais dobrou em relação aos últimos cinco anos, criando um ambiente de risco permanente.

O economista destaca que a disputa de influência entre Estados Unidos e China continua sendo o principal motor dessa volatilidade. No entanto, uma janela de oportunidade parece se abrir para o Sul.

\”A América Latina, incluindo o Brasil, entrou definitivamente no radar estratégico americano para os próximos anos. Esse é um movimento que vai além da atual administração e que deve ditar o fluxo de capital estrangeiro para a região\”, afirma Mendlowicz.

Inteligência artificial como deflator de longo prazo

 

Diferente das narrativas de pânico sobre o mercado de trabalho, o consenso entre os especialistas no evento aponta para um ciclo de investimentos que remete aos grandes saltos tecnológicos da história. Mendlowicz traça um paralelo com a expansão das ferrovias e das telecomunicações.

\”O que estamos vendo em IA agora é um novo ciclo de investimentos. Embora haja uma redução de postos de trabalho em alguns setores, o lado positivo é um salto de produtividade real, capaz de reduzir pressões inflacionárias globalmente\”, explica o economista.

Miami: a consolidação da \”Wall Street do Sul\”

 

A escolha de Miami como sede do evento reflete uma mudança estrutural no mapa financeiro das Américas. O distrito de Brickell, onde a conferência está sediada, transformou-se em um hub que abriga hoje mais de 60 bancos internacionais e movimenta cerca de US$ 28 bilhões anuais na economia local.

Mendlowicz observa que o movimento de migração de grandes fortunas e fundos para a Flórida não é meramente sazonal, mas pautado por incentivos fiscais e segurança jurídica. \”Brickell se transformou em um ponto de encontro natural entre o capital americano e os investidores da América Latina. Não por acaso, o mercado já consolidou o termo \’Wall Street do Sul\’ para definir essa região\”, pontua.

Alocação para 2026: menos EUA e mais valor

 

Para o investidor que busca posicionamento no pós-COVID, as diretrizes discutidas na XP Global Conference sugerem uma rota de fuga do crescimento especulativo. Com juros que devem permanecer em patamares elevados, o foco migra para a resiliência.

As principais conclusões de Mendlowicz para a carteira do investidor moderno são:

  • Apostas em value stocks: preferência por empresas com fundamentos sólidos e geração de caixa em detrimento de empresas de crescimento (growth) sem lucro;
  • Diversificação internacional: redução da exposição concentrada em ativos dos EUA em favor de uma alocação global mais equilibrada;
  • Renda variável seletiva: foco em ativos que se beneficiam da nova dinâmica de juros e produtividade tecnológica.

\”Evolui quem continua em movimento e buscando entender o mundo para tomar decisões conscientes. O cenário atual exige que o investidor amplie seu repertório e ouça diferentes visões para lapidar seu conhecimento\”, conclui o economista.

Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero

Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller \”18 princípios para você evoluir\”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.

Via: Grayce Rodrigues

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.