Sombra de recessão e inflação resiliente mantêm mercados em alerta, apesar de trégua no Irã

"Embora a diplomacia tenha arrefecido o risco imediato de um choque de oferta sem precedentes, não podemos ignorar que o setor de energia permanece sob forte pressão", avalia o Economista Sincero.
25/03/2026 às 17:22 | Atualizado há 3 horas
               

O anúncio feito por Donald Trump sobre a suspensão de ataques a instalações de energia do Irã trouxe um certo alívio aos terminais de negociação, mas está longe de dissipar as nuvens que pairam sobre a economia mundial. Na visão de Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o mercado vive um momento de extrema cautela, onde a suspensão das hostilidades imediatas não anula os danos já causados às cadeias de suprimento e às expectativas inflacionárias.

Alívio geopolítico e o gargalo do petróleo

 

A decisão de poupar a infraestrutura energética iraniana afasta, temporariamente, o temor de um petróleo negociado a níveis estratosféricos. Contudo, Mendlowicz recorda que o Estreito de Ormuz, por onde circula de 20% a 30% do petróleo mundial, permanece como um ponto de vulnerabilidade crítica.

\”Embora a diplomacia tenha arrefecido o risco imediato de um choque de oferta sem precedentes, não podemos ignorar que o setor de energia permanece sob forte pressão. O mercado precifica o alívio, mas o fundamento técnico ainda aponta para uma volatilidade estrutural, já que as rotas logísticas globais continuam comprometidas por um clima de insegurança que asfixia o crescimento de longo prazo\”, explica o economista.

Brasil: cenário doméstico é de \”sinuca de bico\”

 

Internamente, o cenário desenhado pelo Economista Sincero é de \”sinuca de bico\”. Embora a Selic tenha caído para 14,75%, Mendlowicz classifica o corte como insuficiente para aliviar as empresas afetadas pelo crédito caro. \”A queda de 0,25 ponto percentual é importante pela tendência, mas na prática é como baixar a temperatura de uma sauna de 80°C para 75°C: você continua torrando\”, compara.

O cenário é agravado pela percepção de uma \”camisa de força\” fiscal, com diversos aumentos de impostos em três anos e uma dívida pública crescente. Sobre a mudança no comando da economia, Mendlowicz avalia que fica um legado de incertezas. \”A saída de Fernando Haddad da Fazenda para focar em articulações eleitorais em São Paulo deixa um legado de incertezas. Substituir a gestão técnica por objetivos puramente políticos, em um momento de arrecadação recorde que não se traduz em redução de dívida, sinaliza uma paralisia fiscal que compromete a credibilidade do país frente aos investidores\”, diz o economista.

“Não é o momento para movimentos especulativos”, adverte o Economista Sincero

 

A suspensão dos ataques pode ter acalmado o ouro (que registrou sua pior queda semanal desde a pandemia) e estabilizado o Bitcoin na casa dos US$ 70 mil, mas Mendlowicz alerta para a volatilidade que virá com o ano eleitoral.

\”Não é hora de se alavancar ou inventar moda\”, adverte o economista, cuja tese é priorizar a preservação de capital e aproveitar oportunidades pontuais em ativos de valor que estejam descontados em relação ao topo histórico.

“O cenário atual exige disciplina na alocação de ativos, priorizando a liquidez e a preservação de capital. Não é o momento para movimentos especulativos ou exposição a riscos desnecessários. O investidor deve focar em ativos resilientes e com fundamentos sólidos, aproveitando as correções de preço para compor posição sem comprometer a saúde financeira do portfólio diante da inevitável ciclicidade econômica”, orienta Charles Mendlowicz.

A mensagem central é clara: o conflito pode estar suspenso, mas os sinais de uma crise global mais profunda continuam emitindo alertas vermelhos.

Via: Grayce Rodrigues

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.