Analista comenta sobre o novo normal da Petrobras e dividendos

Saiba como o novo posicionamento da Petrobras pode afetar seus investimentos e se ainda é um bom negócio aplicar na petroleira.
12/07/2025 às 10:02 | Atualizado há 2 meses
Dividendos da Petrobras
Petrobras (PETR4): sinônimo de dividendos no mercado brasileiro. (Imagem/Reprodução: Moneytimes)

Para investidores focados em dividendos, a Petrobras (PETR4) sempre foi um nome de destaque, conhecida por sua tradição de pagamentos atrativos. Contudo, o cenário promissor de dividendos extraordinários pode não se repetir, conforme aponta Ruy Hungria, analista da Empiricus Research. Acompanhe a análise sobre o futuro dos proventos da estatal e o que esperar para os próximos meses.

A possibilidade de a Petrobras distribuir dividendos extraordinários anima o mercado, com dividend yield ultrapassando os 20% ao ano. Magda Chambriard, a nova CEO da petroleira, expressou o compromisso de realizar todos os esforços para que esses dividendos se concretizem ainda neste ano.

Entretanto, Ruy Hungria avalia que a chance desses pagamentos extras ocorrerem é baixa, considerando os preços atuais do petróleo. Para o analista, a empresa não deve gerar dividendos acima do esperado com o barril do petróleo nos níveis atuais.

Com as recentes tensões geopolíticas, o barril de Brent chegou a ser negociado acima de US$ 68,60, mas, para que a Petrobras pague dividendos extraordinários, seria necessário que o petróleo se mantivesse em torno de US$ 80 por barril.

Apesar da baixa probabilidade de dividendos extras, a Petrobras não perdeu totalmente seu brilho para investidores focados em renda passiva. Ruy Hungria, em sua participação no evento “Onde Investir no 2º semestre”, ressalta que as expectativas precisam ser ajustadas.

O analista explica que o dividend yield de 20% a 25% ficou no passado e não deve ser o objetivo principal ao incluir a Petrobras na carteira. O novo normal para a Petrobras considera o barril de petróleo entre US$ 65 e US$ 70, resultando em dividend yields mais modestos, entre 10% e 12% ao ano, ainda acima dos dois dígitos.

Mesmo com preços mais baixos do petróleo, a Petrobras continua gerando caixa de forma consistente, o que garante sua capacidade de remunerar os acionistas. Além disso, as ações da empresa são negociadas a um múltiplo atrativo de 3,9 vezes o lucro.

As ações da Petrobras ficaram aquém do Ibovespa, acumulando queda de 12% em 2025, enquanto o índice subiu mais de 13%. Para Ruy Hungria, essa diferença indica potencial de valorização do papel, tornando a Petrobras uma opção válida para carteiras focadas em dividendos no segundo semestre.

Embora a Petrobras continue atraente, não é a única ação a ser considerada, segundo Ruy Hungria. A Petrobras deve representar apenas uma parte da carteira, devido aos riscos políticos inerentes a uma estatal, que podem afetar seus resultados.

O analista defende a inclusão de outros papéis pagadores de dividendos junto com PETR4 para aumentar as chances de obter proventos expressivos e diluir os riscos.

Bruno Henriques, do BTG Pactual, também alertou sobre o erro de investidores focarem apenas no dividend yield passado. Segundo ele, é crucial analisar as projeções futuras e identificar empresas em pontos de inflexão atrativos para escolher ações com maior potencial de retorno.

Ruy Hungria compartilha dessa visão e recomenda evitar empresas muito alavancadas, que podem usar o caixa para pagar dívidas, e empresas de setores cíclicos, com grandes variações de resultados.

Além disso, ele ressalta que não basta focar apenas nos dividendos, pois grande parte da rentabilidade vem da valorização das ações, sendo importante acompanhar o ganho de capital das empresas.

A Petrobras permanece como uma opção relevante para quem busca dividendos, mas é essencial diversificar a carteira com outros papéis pagadores de proventos. As análises de Ruy Hungria e Bruno Henriques oferecem insights valiosos para investidores que buscam maximizar seus retornos e minimizar os riscos.

Via Money Times

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.