Pesquisas apontam que indígenas em Santa Catarina, há cerca de 5 mil anos, caçavam baleias, com arpões feitos de costelas desses animais encontrados em sambaquis. Essa descoberta sugere que esses povos eram os primeiros baleeiros da história humana.
Os sambaquis, além de depósitos de conchas, funcionavam como espaços rituais e sepultamentos, onde foram achados diversos artefatos feitos de ossos de cetáceos, indicando a importância das baleias para essas comunidades pré-históricas.
A análise dos arpões revela partes articuladas e pontas com ranhuras próprias para a caça, especialmente da baleia-franca-austral, mais comum na costa de Santa Catarina. Esses achados ampliam o entendimento sobre as práticas culturais e tecnológicas dessas populações antigas.
Pesquisas recentes indicam que os indígenas que viveram em Santa Catarina há cerca de 5.000 anos caçavam baleias, o que sugere a existência dos primeiros baleeiros da história humana. Fragmentos de arpões, fabricados a partir de costelas de baleia e encontrados em sambaquis da região, foram analisados com técnicas modernas e associados a atividades de caça desses grandes mamíferos marinhos.
Os sambaquis, conhecidos anteriormente como depósitos de conchas, são agora entendidos como complexas estruturas rituais que abrigavam sepultamentos e manifestações culturais indígenas. Além dos arpões, foram encontrados diversos artefatos feitos de ossos de cetáceos, incluindo estatuetas e objetos utilitários, reforçando a importância desses animais para as comunidades litorâneas pré-históricas.
A análise detalhada dos fósseis mostrou a presença de ossos de várias espécies, como golfinhos, cachalotes, baleias-azuis, jubartes e principalmente a baleia-franca-austral. Esta última é destaque por sua frequência na região, proximidade com a costa e comportamento lento, facilitando a caça ativa por esses povos antigos.
Os arpões apresentam partes articuladas e pontas com ranhuras que indicam o uso para perfurar presas. A descoberta desses artefatos associados a restos animais reforça a hipótese de uma sociedade voltada para a caça às baleias, possivelmente influenciando sua cultura e rituais funerários. Muitas peças foram encontradas em contextos de sepultamento, apontando uma relação simbiótica e espiritual com as baleias.
Esse achado amplia a compreensão sobre a vida e as tecnologias das populações antigas do litoral brasileiro, revelando uma interação intensa com o ambiente marinho e uma das primeiras práticas sistemáticas de caça de grandes cetáceos na América do Sul.
Via Folha de S.Paulo