Arqueólogos descobrem tradição milenar de tatuagem na antiga Núbia

Pesquisadores identificam tatuagens antigas em restos preservados na Núbia, revelando costumes e identidade da região.
21/12/2025 às 11:23 | Atualizado há 1 mês
               
Prática de preservação de pele datada desde 350 a.C. em esqueletos antigos. (Imagem/Reprodução: Redir)

Estudos arqueológicos recentes revelaram que a cultura da tatuagem na antiga Núbia, atual Sudão, data de 350 a.C. a 1400 d.C. Arqueólogos usaram imagens em infravermelho para mapear marcas geométricas em peles preservadas encontradas em sítios arqueológicos.

Os desenhos, como losangos e linhas, estavam presentes em cerca de 20% dos corpos escavados, incluindo em crianças e bebês. A prática evoluiu com influências do cristianismo, incorporando símbolos possivelmente ligados a crenças religiosas e usos medicinais.

Essa descoberta amplia o entendimento sobre as tradições, identidade e crenças das sociedades antigas do vale do Nilo, mostrando uma rica herança cultural da Núbia independente do Egito e do Império Romano.

Pesquisas recentes revelaram a existência de uma tradição milenar de tatuagem na antiga Núbia, região que corresponde ao atual Sudão. Arqueólogos utilizaram imagens em infravermelho para identificar marcas geométricas em fragmentos de pele de esqueletos, preservados devido ao clima seco do vale do rio Nilo. As tatuagens datam de pelo menos 350 a.C. até cerca de 1400 d.C., período que abrange o Período Meroítico e a Idade Média.

Os estudos foram conduzidos por especialistas das universidades de Missouri, Arizona e University College de Londres, que examinaram restos humanos de três sítios arqueológicos sudaneses. Os desenhos encontrados incluem losangos, pontos e linhas entrecruzadas, feitos com instrumentos pontiagudos que inseriam pigmento escuro. Alguns dos locais mais pesquisados, como Kulubnarti, mostraram que cerca de 20% dos corpos enterrados exibiam esses traços.

Um detalhe surpreendente é que a prática de tatuagem atingia crianças e bebês, com marcas datais feitas em menores de um ano. Com a adoção do cristianismo na região, os desenhos sofreram variações, incluindo símbolos no rosto, possivelmente ligados a tradições religiosas ou usos medicinais para tratar doenças.

A Núbia manteve sua independência em relação ao Egito e ao Império Romano, vivendo transformações políticas e religiosas que se refletiram nas tatuagens. Essa pesquisa amplia o entendimento sobre costumes, identidade e crenças das sociedades antigas na África.

Via Folha de S.Paulo

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