Por que as pressões de Trump contra a autonomia do Fed não abalam o mercado financeiro dos EUA

Entenda como as ameaças à autonomia do Fed não impactaram o mercado e o que isso revela sobre a economia americana.
14/01/2026 às 15:47 | Atualizado há 8 horas
               
Analistas esperavam queda forte, mas o mercado surpreendeu com estabilidade. (Imagem/Reprodução: Forbes)

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, está sob investigação criminal relacionada ao seu depoimento no Senado, enquanto o Departamento de Justiça busca pressionar para reduzir a autonomia do banco central.

Apesar dessas tensões, os principais índices do mercado norte-americano fecharam em alta, indicando resistência diante das ameaças políticas. Especialistas apontam risco de maior volatilidade e aumento do prêmio para investimentos se houver interferência direta do governo.

Historicamente, pressões políticas ao Fed geram incertezas que aumentam a volatilidade, mas não afetam diretamente os retornos do mercado, especialmente das small caps, que podem se beneficiar de políticas monetárias mais estimulantes.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, enfrenta uma investigação criminal após o Departamento de Justiça americano emitir intimações relacionadas a seu depoimento no Senado em 2025. Powell afirmou que a investigação não visa seu testemunho nem a reforma do Fed, mas sim exercer pressão para reduzir a autonomia do banco central na condução da política monetária.

Apesar das ameaças, os principais índices como o S&P 500, Dow Jones e Nasdaq fecharam em alta, mostrando que o mercado de ações não se abalou com a crise. Especialistas alertam para a possibilidade de aumento de volatilidade e um cenário de risk-off (fuga de ativos de risco), o que demandaria maior prêmio para os investimentos americanos caso haja interferência do governo no Fed.

Historicamente, pressões políticas sobre o Fed não afetam automaticamente o mercado. Estudos indicam que, ainda que aumente a volatilidade por gerar incerteza, a pressão costuma trazer retornos ligeiramente positivos, principalmente para small caps, já que esperam políticas monetárias mais estimulantes com juros menores.

Interferências ao Fed não são novidade. Nos anos 1960 e 1970, os presidentes Lyndon Johnson e Richard Nixon pressionaram o banco central a manter juros baixos para estimular a economia, o que levou a consequências negativas no longo prazo, incluindo inflação alta e recessão.

Especialistas ressaltam que a pressão política prejudica a credibilidade do banco central, aumenta expectativas de inflação e dificulta a gestão da dívida pública. Casos extremos, como o da Turquia, mostram como a perda de autonomia pode desestabilizar a economia.

Via Forbes Brasil

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.