A Ascensão da Venda de Armas 3D e Seu Impacto Mundial

Descubra como a venda de armas 3D pela internet cresce e sua relação com crimes ao redor do mundo.
02/07/2025 às 06:02 | Atualizado há 2 meses
Armas impressas em 3D
Impressoras 3D: O futuro da construção de armas de fogo nas redes sociais. (Imagem/Reprodução: G1)

A proliferação de armas impressas em 3D tem gerado crescente preocupação global, impulsionada pela facilidade de acesso a moldes e guias de produção online. Especialistas alertam que essa tecnologia pode se tornar o padrão para criminosos e extremistas, com modelos recentes capazes de efetuar múltiplos disparos sem comprometer a integridade dos componentes plásticos. A disseminação ocorre principalmente através de redes sociais e plataformas de mensagens, onde anúncios e instruções de montagem são compartilhados abertamente.

A investigação da BBC Trending revelou um aumento significativo na comercialização de armas impressas em 3D em plataformas como Telegram, Facebook e Instagram. A **Meta**, empresa responsável por Facebook e Instagram, declarou que removeu os anúncios destacados pela reportagem, embora a BBC tenha encontrado anúncios ativos no banco de dados da empresa meses depois. Canais no Telegram exibem diversos tipos de armas para venda, algumas delas com aparência de terem sido produzidas por impressoras 3D.

Um contato identificado como “Jessy”, operando no Telegram, ofereceu à reportagem da BBC uma pistola Liberator e um conversor Glock, ambos componentes que podem ser produzidos por impressão 3D. O vendedor alegou poder enviar as armas para o Reino Unido, mesmo sendo ilegal, solicitando pagamento em criptomoedas ou transferência bancária. A postura de “Jessy” sugere a possibilidade de um golpe, mas demonstra a facilidade com que vendedores de armas exploram brechas nas plataformas digitais.

A produção caseira de **armas impressas em 3D** é outra preocupação, já que modelos como a carabina semiautomática FGC-9 utilizam apenas plástico impresso e componentes metálicos adaptados. Rajan Basra, pesquisador do King’s College de Londres, observa que o processo exige conhecimento técnico, mas manuais e moldes gratuitos estão disponíveis em diversos sites. Matthew Larosiere, advogado americano defensor do porte de armas, justifica a divulgação dessas informações como “apenas informação”, apesar do risco de uso indevido.

Em Mianmar, grupos de resistência utilizaram armas impressas em 3D (FGC-9s) em conflitos militares, devido ao baixo custo em comparação com armas convencionais. No entanto, a jornalista Hnin Mo, da BBC, apurou que muitos desses grupos deixaram de usar as armas 3D devido ao controle militar sobre a importação de materiais essenciais e à maior disponibilidade de armas convencionais. A disseminação global dessas armas levou diversos países a considerar a criminalização da posse dos moldes de construção e a restringir a impressão de componentes de armas.

Via G1

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.