A **Internet via satélite no Brasil** está prestes a ganhar um novo impulso com a Hispasat, empresa europeia do setor espacial, que planeja investir até 400 milhões de euros, aproximadamente 2,5 bilhões de reais, para ampliar sua atuação no país. A iniciativa é liderada por Pedro Duque, ex-astronauta e atual presidente do conselho da Hispasat, que defende o acesso à internet como um direito fundamental para a inovação e o desenvolvimento.
A Hispasat já opera no Brasil há duas décadas através da subsidiária Hispamar, com satélites registrados no país e um centro de controle próximo ao Rio de Janeiro. O novo projeto visa expandir essa estrutura com um satélite mais acessível, mas com capacidade até dez vezes maior que o anterior. Duque enfatiza que o objetivo principal é reduzir a exclusão digital, oferecendo internet de alta velocidade para áreas remotas e serviços públicos essenciais.
O último lançamento da Hispamar foi o Amazonas Nexus em 2023, com um investimento de 500 milhões de euros. O próximo satélite, com custo estimado entre 300 e 400 milhões de euros, focará exclusivamente em conectividade, visando atender a crescente demanda por Internet via satélite no Brasil. A Hispasat enxerga o Brasil como um mercado estratégico, combinando um ambiente regulatório favorável com alta capacidade tecnológica.
A operação da Hispasat no Brasil inclui satélites com bandeira brasileira e uma equipe de engenheiros que trabalham em um centro de operações próximo ao Rio de Janeiro. A empresa atende diversas aplicações, desde televisão até internet em voos comerciais transatlânticos. A mudança de foco para conectividade de alta velocidade busca atender regiões remotas, oferecendo serviços de educação, saúde e acesso à telemedicina para comunidades isoladas.
O governo brasileiro já reconheceu a importância da conectividade e possui um programa para conectar 140.000 escolas sem acesso à internet. A Hispasat almeja ser parte dessa solução, integrando a Internet via satélite no Brasil ao programa governamental. A empresa também explora parcerias com outros países da América Latina, como Colômbia, Chile e Peru, para desenvolver modelos de satélites compartilhados, visando reduzir custos e otimizar a operação regional.
A Hispasat, desde sua aquisição pela estatal espanhola Indra, busca fortalecer a integração latino-americana no setor de telecomunicações e defesa. Há um interesse da União Europeia em apoiar financeiramente programas de conectividade via satélite na região. Duque destaca a importância de formar alianças com países que compartilham a mesma visão, promovendo a inovação e o desenvolvimento tecnológico na América do Sul.
O desafio da Hispasat, segundo Duque, é conscientizar os governos sobre a importância da internet como um serviço essencial, equiparando-o à água potável e eletricidade. Com a crescente demanda por Internet via satélite no Brasil, a empresa busca superar barreiras e contribuir para a inclusão digital e o desenvolvimento socioeconômico do país.
Via Exame