O blended finance é uma estratégia financeira que integra fundos públicos e privados para viabilizar projetos sociais e ambientais, especialmente no saneamento.
Essa combinação reduz riscos e aumenta a escala dos investimentos, fundamental para suprir a demanda crescente por infraestrutura hídrica no Brasil.
Com mais de 30 milhões de brasileiros sem acesso à água potável, essa abordagem é essencial para alcançar a universalização do saneamento prevista para 2033.
Transformar projetos sociais e ambientais em realidade demanda recursos sólidos. O blended finance funciona como a estrutura financeira que mistura fundos públicos e privados, reduzindo riscos e ampliando o alcance dos investimentos. Essa combinação estratégica é fundamental para garantir a sustentabilidade e a escala de iniciativas, especialmente nos setores de água e saneamento.
Segundo a OCDE, a falta de infraestrutura hídrica gera perdas econômicas de US$ 260 bilhões anuais, e até 2050 serão necessários US$ 22 trilhões para atender a demanda global. Nenhuma nação pode arcar sozinha com esse valor, o que torna imprescindível atrair capital privado para complementar os recursos públicos.
O blended finance usa subsídios, garantias e empréstimos com juros reduzidos para tornar projetos de impacto social mais atraentes para investidores. Exemplos internacionais mostram o potencial da prática: no Quênia, € 7 milhões em capital concessional impulsionaram projetos que somam € 150 milhões; em Bangladesh, microfinanças geraram milhares de ligações domiciliares e beneficiaram centenas de milhares de pessoas.
No Brasil, a urgência é clara. Mais de 30 milhões de pessoas não têm água potável e cerca de 90 milhões carecem de rede de esgoto. A Sabesp, que precisa investir ao menos US$ 14 bilhões até 2029, já captou quase US$ 4 bilhões em 2025 com recursos envolvendo essa engenharia financeira. O blended finance é indispensável para viabilizar investimentos que atendam à universalização do saneamento, prevista para 2033, garantindo resultados mensuráveis e alinhados a critérios ESG.
Via Brazil Journal