Bolsa da Venezuela em disparada: oportunidade real ou armadilha para os investidores?

Movimento, embora expressivo, levanta um questionamento entre os investidores: é o início de uma recuperação histórica ou um voo de galinha alimentado pela especulação? Charles Mendlowicz, o Economista Sincerto, analisa o caso.
14/01/2026 às 18:17 | Atualizado há 4 horas
               

O mercado financeiro venezuelano vive dias de euforia sem precedentes. Após a notícia da captura de Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos, a bolsa de valores da Venezuela, o IBVC, registrou uma alta meteórica de 148%, medida a partir de 23 de dezembro. O movimento, embora expressivo, levanta um questionamento entre os investidores: é o início de uma recuperação histórica ou um voo de galinha alimentado pela especulação?

Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e criador do canal Economista Sincero, a resposta exige cautela. \”O mercado trabalha com expectativa. Em cenários bons, a expectativa sobe, em cenários ruins, cai\”, explica o economista, ressaltando que a alta atual do IBVC se baseia exclusivamente na possibilidade de uma troca de regime, uma vez que o chavismo ainda mantém estruturas de poder.

Mendlowicz compara o momento atual com a dinâmica de resultados de empresas. “Muitas vezes, uma ação sobe antes de um balanço positivo e despenca quando o resultado, mesmo sendo bom, já foi precificado. No caso da Venezuela, a euforia é alimentada por uma tese de ‘fruta baixa’, cuja estratégia é buscar ativos extremamente baratos após décadas de crise”, explica o economista.

Essa onda de otimismo não está isolada. O economista aponta que o investidor global voltou a olhar para a América Latina com bons olhos, citando a Argentina, que registrou recentemente o menor risco soberano dos últimos 7 anos, e as mudanças políticas no Chile. Para o Brasil, ele projeta um cenário igualmente otimista, caso haja uma sinalização de alternância de governo em 2026: \”Apenas a possibilidade da troca de governo por um gestor respeitável poderia levar o Ibovespa aos 200 mil pontos\”, pontua Charles.

Imóveis na Venezuela: preços de banana, riscos de ouro

 

Uma das maiores curiosidades dos investidores de varejo tem sido o mercado imobiliário venezuelano. Com a debandada de mais de 8,6 milhões de pessoas do país, os preços das propriedades desabaram entre 50% e 90%. Só na capital, estima-se a existência de 3 mil casas abandonadas segundo declarações do ex-presidente da Câmara Imobiliária Metropolitana de Caracas, Roberto Orta Martínez.

No entanto, Mendlowicz alerta para o que chama de ‘armadilha para inocentes’. Embora seja possível encontrar apartamentos de luxo por frações do preço de um imóvel no Brasil, os riscos são sistêmicos.

“É fácil comprar, mas pode ser impossível vender se a recuperação econômica não se concretizar, isso afeta a liquidez. Há risco de insegurança jurídica, com relatos de golpes onde o mesmo imóvel é vendido para múltiplas pessoas, além da ocupação por cartéis ou grupos armados. É preciso ficar também atento aos custos ocultos. Propriedades abandonadas exigem reformas estruturais caríssimas, e a gestão à distância é um desafio logístico e de segurança”, alerta o Economista Sincero.

Como investir com segurança?

 

Para quem ainda assim deseja exposição ao renascimento venezuelano, o economista sugere o mercado financeiro em vez do físico. Gestoras nos Estados Unidos já estão em processo de registro de ETFs (fundos de índice) focados na Venezuela, o que permitiria ao investidor entrar e sair do mercado com muito mais agilidade.

\”Eu prefiro de longe investir em renda variável, ações e ETFs, do que comprar um imóvel sem conhecimento local\”, afirma Charles. Ele traça um paralelo com a febre dos NFTs de ‘macacos’ (Bored Apes), lembrando que muitos influenciadores promovem ativos no topo para depois deixarem os seguidores com o prejuízo na mão.

Charles Mendlowicz finaliza a análise dizendo que a alta de 148% da bolsa de valores da Venezuela é um sinal de que o mundo está de olho no país, mas o investidor consciente deve priorizar a liquidez e evitar decisões baseadas apenas no FOMO (fear of missing out, ou medo de ficar de fora). \”Nesse momento, eu só peço calma. Se for investir, tem que fazer direito\”, conclui o economista.

Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero

Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller \”18 princípios para você evoluir\”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.

Via: Grayce Rodrigues

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.