Bradesco bloqueia IPO da Compass para influenciar reestruturação da Raízen

Bradesco bloqueia IPO da Compass para pressionar acordo na reestruturação da dívida da Raízen.
18/03/2026 às 19:41 | Atualizado há 3 horas
               
Bradesco bloqueia IPO da Compass para pressionar negociações com o Grupo Cosan. (Imagem/Reprodução: Braziljournal)

Bradesco está impedindo a oferta pública inicial de ações da Compass, empresa do grupo Cosan. O objetivo é forçar negociações para a reestruturação da dívida de R$ 65 bilhões da Raízen, controlada pela Cosan e Shell.

O banco é um dos maiores credores da Raízen e exige que a Cosan direcione recursos para a recuperação da empresa. A Cosan, no entanto, pretende usar o dinheiro do IPO para outras áreas do grupo, gerando impasse.

Enquanto Shell e fundador da Cosan comprometem aportes financeiros, o veto do Bradesco pode atrasar a operação e ameaçar a janela para o IPO, diante da instabilidade global.

O Bradesco está bloqueando uma oferta inicial de ações da Compass, empresa de gás e energia do Grupo Cosan, para pressionar a negociação da reestruturação das dívidas da Raízen. A Raízen, controlada pela Cosan e Shell, solicitou recuperação extrajudicial com R$ 65 bilhões em débitos. O Bradesco, credor com mais de R$ 2 bilhões, detém participação na Compass e precisa aprovar uma reestruturação societária para o IPO, mas está negando o aval, ameaçando a operação.

O banco enxerga a situação do grupo como um todo, incluindo Cosan, Raízen e Compass, e acredita que a oferta poderia ajudar a Raízen. Porém, a Cosan pretende usar os recursos do IPO da Compass para sua própria área, não para injetar dinheiro na Raízen. O Bradesco busca um tratamento diferenciado em relação aos outros credores e tenta obrigar a Cosan a vender a Compass para direcionar fundos à Raízen, o que a empresa nega.

A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões na reestruturação, e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, pessoalmente aportará R$ 500 milhões. O Bradesco também tem fatias na Cosan Dez e na Compass que dependem da realização do IPO, mas o veto do banco pode forçar a Cosan a tentar recomprar essas ações, o que aumentaria o tempo da operação. A janela para o IPO pode fechar devido à instabilidade global, incluindo o conflito no Irã.

Mesmo com o impasse, a Cosan insiste no IPO como oferta primária para captar recursos para si, com uma possível oferta secundária para investidores privados. O Bradesco, por sua vez, busca se proteger considerando a crescente onda de pedidos de recuperação extrajudicial.

Via Brazil Journal

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.