Brasil e países emergentes devem liderar transição para a indústria verde

Um novo estudo revela que Brasil e outros emergentes podem ultrapassar grandes economias na indústria sustentável.
19/06/2025 às 10:48 | Atualizado há 2 meses
Novo cinturão industrial solar
Brasil e emergentes podem liderar na indústria sustentável, superando grandes economias. (Imagem/Reprodução: Exame)

Um novo relatório revela que um grupo de países emergentes, denominado de novo cinturão industrial solar, está se destacando na corrida pela descarbonização, superando as potências tradicionais como China, Estados Unidos e União Europeia. Publicado na última quinta-feira, 19, pela Mission Possible Partnership (MPP) e apoiado pelo Acelerador de Transição Industrial (ITA), o estudo identificou 823 plantas de produção em 69 países, destacando países como Brasil, Índia, Egito, Indonésia e Marrocos.

Essas nações estão utilizando suas vantagens em energia renovável para atrair bilhões de dólares em investimentos, posicionando-se como líderes em indústrias intensivas, como alumínio, químicos, cimento, aviação e aço. Essas indústrias estão substituindo combustíveis fósseis por fontes de energia mais sustentáveis, refletindo uma mudança clara na abordagem industrial.

Apesar do avanço, o relatório aponta gargalos e lentidão na transformação de projetos anunciados em investimentos concretos. De acordo com a análise, dos 823 projetos mapeados, apenas 69 estão operacionais e 65 receberam financiamento. Os demais, totalizando 692, ainda estão em busca de recursos. Caso a taxa de conversão permaneça constante, poderia levar cerca de 40 anos para que todos os projetos fossem implementados efetivamente.

Atualmente, a China lidera os investimentos em plantas industriais limpas, representando 25% dos US$ 250 bilhões já aplicados globalmente. Os Estados Unidos seguem com 20%, enquanto a União Europeia responde por 15% desse total. Os países do novo cinturão industrial solar garantem um quinto desses investimentos, representando 59% dos US$ 1,6 trilhão em projetos anunciados que ainda não foram financiados.

Frases de líderes do setor enfatizam essa transformação: “Assim como as indústrias do passado se localizavam perto das mina de carvão, a nova geração busca eletricidade abundante e limpa para produzir materiais e combustíveis”, explica Faustine Delasalle, CEO da MPP. A amônia verde, essencial para a produção de fertilizantes, emerge como um motor dessa transformação. A previsão é que, até 2035, este produto se torne mais acessível em relação à versão tradicional, proveniente de fósseis.

Os dados do estudo indicam que a Índia, por exemplo, é responsável por 8% da produção global projetada da amônia, suficiente para fertilizar quase três quartos de seu território. O Egito representa 7%, enquanto Omã, Mauritânia e Chile possuem 6% cada. Para Christiana Figueres, cofundadora da Global Optimism, a situação atual é uma oportunidade histórica para uma transição rumo a uma economia de baixo carbono, com setores como amônia verde e combustíveis de aviação sustentáveis em franco crescimento.

Esses desenvolvimentos não apenas mostram uma movimentação em direção a uma indústria menos poluente, mas também acentuam a relevância do novo cinturão industrial solar e seu potencial para redefinir a produção industrial global nos próximos anos.

Via Exame

Artigos colaborativos escritos por redatores e editores do portal Vitória Agora.