O Brasil, apesar de ser um líder em energia limpa e pioneiro no apoio a novas tecnologias verdes, enfrenta desafios estruturais que podem comprometer seu potencial na transição energética no Brasil. Essa avaliação foi feita por Travis Hunter, do MIT, durante o Energy Summit no Rio de Janeiro, onde destacou a desconexão entre governo, universidades, startups e grandes empresas. Essa falta de integração é vista como o principal obstáculo para impulsionar a descarbonização do setor.
A mensagem do MIT é clara: o Brasil não precisa reinventar a roda, mas sim conectar melhor os elementos que já possui. Com uma matriz elétrica composta por quase 90% de fontes renováveis, impulsionada pela expansão de hidrelétricas, eólica e solar, o país tem investido fortemente em descarbonização e novas tecnologias.
As tendências incluem o armazenamento de energia em baterias, hidrogênio verde, eletrificação e o aumento da demanda por infraestrutura para alimentar a inteligência artificial. Apesar disso, especialistas apontam que muitas inovações e soluções precisam de escala e apoio financeiro para se concretizarem.
Para Hunter, o problema não se resume à falta de recursos ou subsídios governamentais. Startups brasileiras não conseguem obter apoio suficiente do ecossistema como um todo, dificultando o acesso a oportunidades de colaboração com grandes empresas, universidades e capital privado.
O especialista defende parcerias estratégicas em vez de uma visão de concorrência, enfatizando que as grandes empresas já foram pequenas e a agilidade das startups pode ser um grande diferencial. No MIT, ele trabalha para conectar governo, universidades, empresas, capital de risco e empreendedores.
Hudson Mendonça, CEO do Energy Summit, destacou que as discussões globais sobre energia giram em torno dos “4Ds”: descarbonização, digitalização, democratização e descentralização. Descarbonizar o setor é essencial e pode ser feito de várias maneiras. A digitalização está intrinsecamente ligada, impulsionada por data centers e inteligência artificial. Democratizar visa tornar a energia acessível a todos, gerando emprego, renda e desenvolvimento, enquanto descentralizar busca expandir eólica e solar, e até a “fusão nuclear”.
Em 2025, o evento de inovação, empreendedorismo e sustentabilidade acontecerá de 24 a 26 de junho no Rio de Janeiro. Esperava-se a presença de Fernando Haddad, ministro da Fazenda, na abertura, mas ele foi representado por Igor Marchesini, seu Assessor Especial.
Apesar do potencial do Brasil em energias limpas, a falta de conexão entre os diferentes atores do setor pode impedir o avanço da transição energética no Brasil. Integrar startups, universidades, empresas e governo é essencial para que o país aproveite ao máximo suas vantagens e se consolide como líder global em energia sustentável.
Via Exame