Manifestantes contrários ao decreto presidencial que libera concessões de hidrovias no Norte do Brasil atacaram instalações da Cargill no Pará e em São Paulo. O terminal portuário em Santarém teve suas operações totalmente paralisadas por ações violentas e a fachada do escritório paulista foi vandalizada.
Os protestos, liderados por indígenas e ONGs, questionam a inclusão de mais de 3 mil km dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização, alegando que o decreto ameaça territórios ancestrais e não respeita a consulta prévia exigida pela Convenção 169 da OIT.
Povos indígenas intensificam bloqueios em áreas dos rios Tapajós, enquanto a Cargill afirma não apoiar os protestos e cita ordem judicial para desocupação dos locais invadidos. O governo ainda não se posicionou oficialmente, mas o leilão das hidrovias deve ocorrer em breve, com expectativa de impulsionar o escoamento do agronegócio e mineração.
Manifestações contra o decreto presidencial que permite concessões de hidrovias na região Norte do Brasil resultaram em ataques a instalações da Cargill no Pará e em São Paulo. O grupo de agronegócio informou que seu terminal portuário em Santarém teve as operações integralmente interrompidas por ações violentas de manifestantes. A fachada do escritório em São Paulo também foi vandalizada.
Os protestos, que já duram mais de 30 dias, são liderados por povos indígenas e ONG’s contrários ao decreto que inclui mais de 3 mil quilômetros dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização. A intenção do Governo é viabilizar concessões para hidrovias nessas regiões, o que tem gerado críticas por ameaçar rios ancestrais e não respeitar a Convenção 169 da OIT, que exige consulta prévia aos indígenas.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) destaca a resistência contra o chamado “modelo hidroviário predatório”. Delegações de diferentes povos indígenas já intensificaram os bloqueios em áreas como o Baixo, Médio e Alto Tapajós, incluindo grupos vindos de outros estados. Na última sexta-feira, faixas foram erguidas chamando o decreto de “decreto da morte” e afirmando que “o rio Tapajós não é mercadoria”.
A Cargill afirmou não ter relação com a pauta das manifestações e destacou que possui ordem judicial para desocupação dos locais invadidos. Autoridades, como o Ministério dos Portos e Aeroportos, ainda não se posicionaram oficialmente. Para este ano, está previsto o primeiro leilão de hidrovias no País, no rio Paraguai. Estudos indicam que os rios Tapajós, Madeira e Tocantins têm potencial para escoar produção do agronegócio e mineração.
Via Brazil Journal